31/01/2011

Diário do eu que criei - Parte 1

Ultimamente, tenho sido outro que não eu. É que ser eu já não me apetece, não convém. Cansei da inércia. Me tornei outro. Esse outro eu é o rei do mundo. As pessoas me admiram, me adoram. As revistas dedicam páginas para falar de mim, várias reportagens enaltecem meu talento. Eu sou um herói agora. As pessoas me querem por perto e as que já me tiveram sentem minha falta. Esse outro eu, ninguém esquece. Agora eu faço a diferença. Quem deixaria de me amar agora? Quem ousaria me deixar? Esse outro eu é belo, simpático, inteligente, engraçado, corajoso e bom de cama. Sou o perfeito herói. É a perfeita ilusão que eu criei com ajuda de doses diárias de álcool. A ilusão é a melhor anestesia para o corpo e a alma. E quem disse que ilusão não pode se tornar realidade?

5 comentários:

Poly disse...

Falou tudo!

Anônimo disse...

Faça esse seu eu perfeito se tornar uma pessoa vazia. Pessoas vazias não se importam com a dor outro. Vai ficar bem melhor assim, pelo menos para você mesmo.

Nil Costa Marques disse...

E quem disse que Nelson Rodrigues não estava certo ao dizer que convém não provocar os puros. Há no ser humano, e ainda nos melhores, uma série de ferocidades adormecidas. O importante é não acordá-las. No seu caso, a ilusão é um sonho?
E sobre o buquê, ao meu ver existem lembranças melhores!rs

Nil Costa Marques disse...

Diagnóstico falho.Tocar ou não tocar, geralmente não é a questão. Ou não? Meu coração é facilmente molestado por manifestações gratuitas ou não de criatividade, volúpia e qualquer arma pontiaguda amolada.

Allan Kardec disse...

Este outro você é sim uma parte sua. Oculta adormecida... talves o seu metafisico... o ateu...
Este que você não conhece, mas que certamente, em meio a devaneios reais, pode te ensinar a ser você.