03/02/2011

Amor, futebol e outros desencontros

Eu acredito que o amor de nossas vidas é como nosso time de coração. Não deixamos de amar quando perdemos. É uma escolha inexplicável do coração. Você continua torcendo por aquele time, mesmo quando a nova camisa não é das mais bonitas, mesmo quando os jogadores são ruins e o técnico é fraco. Você continua amando aquela mulher mesmo quando ela te diz coisas que você não gostaria, faz algo que o decepcione, até quando ela te deixa repentinamente e te esquece sem demora. O amor de verdade não tem motivo, não tem razão. Ele, simplesmente, aparece, toma conta e aí não tem mais volta, vai ser sempre amor.

A questão é que podemos viver sem esse amor de nossa vida, assim como podemos continuar vivendo mesmo se nosso time nunca mais conquistar títulos. E ainda assim, podemos ser felizes. O segredo está em aprender a desviar nossa atenção, mudar de foco. Buda dizia que se quisermos nos livrar de grandes sofrimentos, temos que abrir mão de grandes prazeres. É quase um exercício de meditação: esvaziar a mente e controlar os pensamentos.

Se nosso time do coração é um engodo, temos a opção de acompanhar outros esportes como tenis ou automobilismo, por exemplo, e deixar o futebol de lado. Podemos até vir a torcer por outros times, eventualmente, no calor do momento ou por pura rivalidade. Podemos até começar a simpatizar por um time neutro e torcer com alguma convicção por ele, mas nossa alegria nas conquistas desse time nunca será plena. Em contrapartida, nosso sofrimento com suas derrotas nunca será avassalador. Da mesma forma, podemos até estar com outras mulheres, vir a gostar de alguma com certa empogalção, mas nunca sentiremos o prazer absoluto que é estar com a pessoa na qual amamos de verdade. Em compensação, nos livramos também do imenso sofrimento que a falta desse amor causa.

Aquela sensação de desprezo, indiferença, abandono, de ter se tornado desimportante para a pessoa mais importante, eu não quero mais. Tem ideia de como doi ser simplesmente descartado pela pessoa que você mais dava valor? Espero que nunca experimente essa dor, mas se, um dia, chegar a experimentar, aproveite a dor e vá subindo os degraus devagar. Nem sempre é possível ter fé, mas a fraqueza que se sente, nem sempre, quer dizer que não somos fortes. O segredo é mudar o foco.

No fim das contas, acho que posso voltar a assistir Formula 1 e começar a ver os jogos do Roger Federer e Andy Roddick. No fim das contas, eu sempre me imaginei mesmo como um solteirão, morando em um apartamento bacana na cobertura, correndo sozinho com meu cachorro na praia. É perfeitamente possível ser feliz sem os amores de nossas vidas, basta buscar outras felicidades, outras prioridades, outros objetivos.

E assim, vai.

6 comentários:

Ana Paula disse...

Adoro ler seus textos. Cada um melhor que o outro. x) E como já te disse, PASSA!

Ana Carolina Castro disse...

E vc ainda vai rir por ter achado que o tal "amor da minha vida" existe. Existem amores que marcam nossas vidas. É isso.

kallani disse...

não sou Ana, posso comentar aqui?
hauehaueh
concordo com as duas Anas, principalmente com a segunda. Dizer que só existe um grande amor na vida é como achar que só existe vida na Terra. É limitação.

Leo Curcino disse...

pode ate ser que exista vida em outros planetas, eu até acredito mesmo que tenha, mas ninguém nunca provou. não ainda.

Anônimo disse...

excelente!!vc chegou ao ponto exato q venho me empenhando a ver vc concluir ou ate mesmo assumir em voz alta q existe vida pós um grande amor...rsrs... mas com o tempo com a vida vc ainda vai chegar a mais uma conclusão: no futuro vai descobrir que podem existir grandeS amoreS, que te deixará marcas inesquecíveis boas e ruins... permita-se viver!

ex ana disse...

Sempre que regresso a este site encontro textos bonitos. Este aqui, gostava de o postar no meu blog. Posso?
(porque gosto? pelo 'balanço' (música), pelo humor (triste) pela visão do amor 'desse lado'. Já musicaram alguns dos seus versos? Já publicou algum livro?)