07/02/2011

Diário do eu que criei - Parte 2

Lá se foram 62 dias. Meu outro eu buscou, exaustivamente, motivos, vários deles, pelo menos um que fosse convincente, algum que o fizesse aceitar. Não encontrou. Não encontrou porque não havia. O que causou o fim não passou de uma confusão declarada, não perdoada, bem menor do que a proporção que tomou. Tentou falar, tentou ouvir, tentou sentir qualquer coisa que o fizesse crer que foi tudo de verdade. Ele só queria viver com a certeza de um ponto final bem escrito. Bem melhor do que essas reticências rabiscadas... Mas o papel já está tão desgastado, rasgado, de forma que as reticências virararam ponto.

Sei que ele decidiu seguir. Seguiu porque era o que ela queria. Então, ele precisou seguir. E tomar a decisão é o mais difícil, é o primeiro grande passo. Escondeu em algum canto aquilo tudo que ela deixou para trás e trancou. Quando ele tiver superado, vai lembrar de tudo como uma coisa boa que durou praticamente 2 anos. E é isso. Ele me diz que não se importa se não tiver um novo amor, mas morre de medo de ficar lamentando a ausência dela a vida inteira, como já viu acontecer, como já ouviu dizer. Anda praticando meditação, lendo sobre o budismo, espiritismo, fazendo exercícios de desapego, buscando problemas para resolver e abstrações. Está longe de ficar como eu, que sou verdadeiro praticante da arte de meditar, desapegado, livre, alguém que vive, assumidamente, de boas e deliciosas alegrias momentâneas. Mas ele tenta, sou eu há anos atrás, quando fui inventado. E até já consigo ver eventuais sorrisos ali naquela face. Até consigo ver as covinhas ressuscitadas, eventualmente.

Partiu. Está pronto para o próximo passo. Pena não ter sido o final feliz que ele esperava, pena não ter havido despedida, afinal, eles chegaram tão perto. Partiu, mas no fim o que importa é que ele amou pelos dois.

7 comentários:

Anônimo disse...

Que inveja dela. Acho que nunca ninguém me amou desse jeito.

Carol Santana disse...

O final e o contexto me lembrou um pouco aquela música do Nenhum de Nós. Você usou até algumas frases que a música diz.

http://www.youtube.com/watch?v=0_dHc1Jt6Bs

Lii disse...

Me identifiquei muito com seus textos, baby.

Você foi a descoberta do mês. ;)

Fanzine Episódio Cultural disse...

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Euza disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Loba disse...

finais nos incomodam como se fôssemos imortais. vivê-los nos dói como faca na carne. e o tempo de senti-los talvez dependa mais do tamanho do nosso amor próprio, né?
que belo texto! aliás, belos os versos e as prosas.
beijo!

Milla disse...

ei garoto, não suma, o real ou o fictício, por favor, o aprendizado alheio também ensina!