22 de jul. de 2008

Expontaneamente forjado

Foi-se
Expontaneamente forjado foi o meu discurso
E minha ânsia de antecipar a previsão foi só
Mais uma ânsia de me antecipar à previsão
Foi prato cheio pro abismo e eu
Já me cansei de ser mais um a violentar
A causa que me fez querer partir
Já me cansei de ser mais um a esconder
O real motivo de ter vindo até aqui
Foi tudo idealizado então?
Cada palavra? Cada desculpa?
Cada promessa? Cada desfeita?
Cada consolo? Cada beijo no escuro?
Foi tudo idealizado então?
Todo o esforço pra esconder meu rosto,
Disfarçar minha cara cansada, minha indecisão...
Escondi os olhos vermelhos e a cicatriz,
Através de um semblante que não sustento mais
Foi tudo idealizado então?
Cada palavra? Cada desculpa?
Cada promessa? Cada desfeita?
Cada consolo? Cada beijo no escuro?
Foi tudo idealizado então?
Que falta fazem aquelas mãos que me consolavam!
Que falta fazem aquelas conversas de esquina,
Os encontros semanais nem tão pré-planejados
Que sua demora pra descer fazia atenuar
Foi tudo idealizado então?
Foi-se?

18 de jul. de 2008

(Re)aprendendo...

Ele já aprendeu várias vezes a não esperar demais das pessoas que o cercam. Aprendeu bem aprendido por sinal. O problema é que ele vive desaprendendo e esquecendo desse detalhe. Continua com essa mania imbecil de acreditar que "dessa vez vai ser diferente". Por essas e outras é que ele vive conhecendo a pessoa da vida dele e logo percebe que esta não era se quer a pessoa do ano ou do mês. Decepcionar-se faz parte, eu sei, mas eu acho que ele deveria ter mais cautela. Por que continua insistindo tanto na mesma história? Pra que essa esperança patética de achar que as pessoas são confiáveis e se importam contigo? Todos sabemos que elas não se importam! Até mesmo as grandes amizades, de certa forma, são uma relação de conveniência. Claro que geralmente a conveniência é recíproca (até porque se não fosse, não seria verdadeira ora bolas), mas não deixa de ser uma relação de interesse. E por assim ser, quando um dos lados deixa de ser interessante ou deixa de ser conveniente, a amizade simplesmente se esvai como uma costura que arrebenta, um brilho que se cessa ou um grito que se cala.

Já parei pra pensar em quantas pessoas eu conheci na vida. Foram tantas pelos lugares que andei. A grande maioria pouco representou, mas mesmo assim me lembro de quase todas elas. Tiveram as que troquei apenas olhares, cumprimentos, 2 palavras, as que eu odiava, as que me desprezavam, as que brincaram comigo, colegas de escola, de trabalho, etc e etc. Tiveram outras tantas que eu considerava amigas e hoje nem devem se lembrar de mim. Há outras que até podem se lembrar de mim, mas agora não passo de um mero desconhecido para elas. E é assim que funciona. Talvez nós tenhamos prazo de validade. Vai saber... O fato é que eu não vejo razão para ele esperar tanto das pessoas. Não vejo razão pra ele procurar tanto essa pessoa certa! Afinal, o que é a pessoa certa? Isso realmente existe? Os poetas, romancistas e autores de novela dizem que sim. O cinema vez ou outra também gosta de retratar esse tipo de coisa. Ah... Tem também os contos de fadas onde as pessoas vivem felizes para sempre em seus reinos encantados. Reino encantado? Deixo isso para os contos de fadas.

Aqui realmente funciona assim: se for ajudar alguém, faça pela boa intenção e não esperando algo em troca. Se apaixonar-se por alguém, não espere a mesma paixão. Se quiser fazer questão de alguém, faça sem medo. Só não espere o mesmo em troca. Pelo menos não espere que isso ocorra com a mesma intensidade e/ou da mesma forma. É aí que ele erra! Ele dá e espera receber de volta! Mas ele ainda há de aprender (ou reaprender).

1 de jul. de 2008

Poderia ser você...

Criança qualquer

Essa é a história de uma criança
Que podia ser você...

Então pára de dizer pra ela
Que ela vai ser sua e
Não vai soltar
Pára de escolher pra ela e
Espera pra ser como será

Deixa ela ser pintor
Deixa ela ser canção
Deixa ela ser polícia
Deixa ela ser João

Então pára de dizer pra ela
Que ela vai ser sua e
Não vai soltar
Pára de escolher pra ela e
Espera pra ser como será

Deixa ela ser doutor
Deixa ela ser atriz
Deixa ela ser criança
Deixa ela ser feliz.

28 de jun. de 2008

Bem-me-quer

Mal-me-quer
O que sou hoje é reflexo
Das decisões que tomei
Emocionais, certas ou não
Só sei que de algum modo
Eu fiz e isso me fez assim
Agora, encarando o espelho
Eu digo insistentemente
Mal-me-quer, bem-me-quer,
Mal-me-quer, bem-me-quer,
Mal-me-quer... Definitivamente...
Mais uma vez um NÃO...

A prosa dele com ele 2

Ele já estava enjoado das putas da Augusta. Estava com nojo delas. No fundo, acho que ele sempre teve. Já havia cansado de toda aquela perversão. No fundo, acho que ele nunca gostou. Gozar na cara delas já não tinha mais a mesma graça. No fundo, acho que ele nunca viu tanta graça assim. Certa vez, a dona do quarto que ele alugava na Pamplona perguntou como um rapazinho tão distinto gastava tanto dinheiro com puta. "Não é possível que você não consegue arrumar uma namoradinha. Você é um rapaz bonito, simpático... Por que perder tempo com essa gente?" - ela comentou. No outro dia, ele pegou suas coisas e foi procurar outro lugar pra morar. Há cinco anos, depois de ter tomado o maior tombo da sua existência, ele prometeu a si mesmo que nunca mais deixaria ninguém se intrometer em sua vida.

Repentinamente, veio à tona cada segundo do seu ano. E olha que o ano já estava na metade e muita coisa tinha acontecido e desacontecido. Logo em seguida, flashs de toda a sua vida apareciam len-ta-men-te, depois rapidamente, depois len-ta-men-te de novo e rapidamente... Naquele momento, ele visualizou o seu futuro e não gostou muito do que viu. Ou talvez, tenha gostado, não sei. A confusão naquele quarto estava tão concreta quanto sua cama e o armário. Sua ânsia por auto-afirmação era tamanha que ele evitava se ver no espelho enquanto não se convencesse de que era bom o suficiente pro que o esperava lá fora.

Era domingo e ele havia tirado o dia pra decidir o que queria fazer da vida. Decidiu que, antes de qualquer coisa, ele passaria a ser a sua maior prioridade. Ele havia decidido, finalmente, deixar de ser coadjuvante para ser o protagonista do seu filme (não me lembro onde vi essa citação, mas acho que se encaixa perfeitamente aqui). No mesmo instante, lembrou de tudo que já havia priorizado antes. A maioria daquelas coisas não fazia o menor sentido agora. A maioria daquelas pessoas, ele nunca mais viu e, talvez, nunca mais verá. Sentiu uma leve vergonha por ter se entregado tanto, por ter sido tão omisso, ter sido tão emocional e nada racional. Quanto disparate! Perdera muito tempo gostando de pessoas não gostáveis, conhecendo pessoas não conhecíveis e se relacionando com pessoas não relacionáveis. Mas será? Não seria muita prepotência achar que o problema sempre está nos outros? Talvez seja muita pretensão, mas ele acreditava, invariavelmente, que a culpa jamais foi dele. Pelo menos isso ele ainda tinha de sobra. Ninguém jamais conseguiu convencê-lo de que foi ele o responsável por cada fato marcado, por cada momento marcante, por cada segundo cortante...

27 de jun. de 2008

A prosa dele com ele 1

Hoje ele acordou querendo ser forte. Escovou os dentes com força. Mastigou com força o pão com manteiga. Fechou com força a porta da sala. Apertou com força o botão do elevador. Força, excesso de força. O que ele pretendia com tudo aquilo? O que ele queria provar pra quem? Ele estava se distanciando das pessoas importantes, cada dia mais. Seguia uma rotina formal do-trabalho-pra-casa-da-casa-pro-trabalho. Pensando bem, será que essas pessoas importantes são realmente importantes? Será que elas realmente se importam? O fato é que agora era nada além de seu quarto e suas velhas anotações. O que ele tanto anotava? O que ele tanto pensava? Afinal, ele sempre foi tão acostumado a nunca ter razão. Por que isso o incomoda tanto agora? A verdade é que uma hora cansa. Nem o mais inerte dos seres humanos consegue viver só de imbróglios sem que isso afete consideravelmente seu estado emocional. E ele sabe que o que é dramático hoje pode ser saudade amanhã. E a saudade um dia aperta. Um dia ela há de consumir todo o seu esforço por mais desesperado que ele seja, até que um dia, de repente, ela vai embora assim como veio.

Algumas semanas se passaram depois do primeiro ataque de saudade. Veio o segundo, o terceiro, o quinto... Ela vinha e voltava na mesma frequência que o beija-flor que as vezes visitava sua sacada. A frequência foi diminuindo progressivamente, mas quando a saudade apertava, apertava muito mais forte que antes. Eram espasmos que o faziam ter vontade de dar voltas pelo quarteirão até morrer de cansaço e repensar toda a rotina do mês. Mas afinal, a rotina do mês que entra não é a mesma do mês que foi?

Já não anotava tantas coisas como antes. Já não pensava em tantas coisas como antes. Ele passara a ser a esperança de ser diferente de tudo que fora um dia. Não queria mais ser ele mesmo porque isso implicava em ser exagerado e sincero, em ser impulsivo e discreto, quase transparente, em ser a sequência do que era ontem e ontem já passou... Hoje ele deveria ser diferente, pensar diferente, andar diferente, gostar diferente, sonhar diferente, querer diferente, porque afinal as pessoas devem ser volúveis (ou não?). Ele pelo menos nunca conheceu alguém que não fosse assim. Teria sido o acaso que o consola ou teria sido o destino que o mantém?

17 de jun. de 2008

Tão poucas

Pouco de muito mais

Foram tão poucas palavras
Atrevidas, mal faladas, tão perdidas,

Tão pesadas que já nem me canso mais

Foram tão poucas cartas
Mal escritas, insensatas, tão sentidas,

Tão caladas que já nem
escondo mais

Foram tão poucas noites
Mal dormidas, tão passadas, bem vividas,
Tão sanadas que já nem me encanto mais


Eu que quis ouvir respostas,
Busquei no aval minhas partidas,
Aceitei apostas, fiz investidas,

Que nostalgia é alcançar a si
Que agonia é se ver sem ir

Que pretensão é mudar sem estar,
É querer ficar, é mudar sem vir...

Foram tão poucas frases,
Nem tão ditas, tão usadas, escondidas,
Tão
forçadas que já nem me sinto mais

Foram tão poucas fotos,
Mal batidas, desfocadas, tão tremidas,
Tão armadas que nem me lembro mais.

3 de jun. de 2008

Meu eu de ontem...

Mãos

Agora há pouco, no teatro com você,
Eu descobri que gosto de mãos

Gosto de tê-las, de apalpá-las,

De senti-las e almejá-las

Gosto do conforto que me traz

Os seus dedos entre meus dedos,

Suas unhas, seus apegos...
Agora há pouco entendi tudo
E ao mesmo tempo, entendi nada

Passei a gostar ainda mais de Clarice
E entender melhor o que me disse
Passei a esquecer o que não conhecia
Descobrir o que já sabia
E agora que sei, confesso que tanto faz
Porque meu eu de hoje
Não é mais o meu eu de ontem
E confesso que agora tanto faz

Porque o meu eu de ontem
Talvez seja o meu eu de nunca mais.

28 de mai. de 2008

Vocalizes...

Laiá Laiá

Dandabdabdaranran dabdarará
Dandabdabdub dada durarará
Dan dandan darara dubdara riiiiiiii
Dubdadan darara rarara rarariiiiiii

Djubirubirubiruba laiá laiá laiáááá
Djubirubirubiruba laiá laiá laíííííííí
Laiá Laiá Laiá Djbubirubirará lááá
Nanan laía nananananan larííííí

Nananan laialá laiá laiá naninaná
Djabirubiruba nananan laiá láááá
Dananan nananan nananaá laiáá
Dubdadan darara rarara rarariiiiiii



Eu prefiro cantar um
Monte de sílabas nada a ver
Do que escrever qualquer clichê
Do que falar, mais uma vez,
Sobre você... sobre você.

19 de mai. de 2008

Subir até o fim...

26 degraus

Sobe até o fim

Faltam só 26 degraus

Até posso ver o sol daqui
Mais um pouco e poderei tocá-lo

Mais alguns minutos e eu estarei bem
Só dois tempos e respirarei aliviado. Ou não?