17 de fev. de 2009

Sei?

Assim

Cheguei ate aqui assim

Sem saber se deveria chegar
Caminhei ate ali assim

Sem saber pra onde caminhar

Pulei, corri, chorei, sorri

Tudo sem saber do fim
Tudo sem lembrar do começo

Tudo sem saber do fim.

1 de fev. de 2009

2 em 1 só

Calmaria

Toda essa vontade
viciante

Que não espera
amanhecer

É tudo indício,
é quase um gesto,

Um jeito da
vida dizer

Que daqui pra frente vai ser eu e você
E todo esse caos rubro que anuncia -
Trânsito, ponte, Sé e Barra Funda -
Não é maior que meu desejo de calmaria
Noite e dia, noite e dia

Nada melhor do que acordar
E poder te dizer bom dia.

Era

Meu segredo mais guardado

É maior que teu pior pecado
E meu desejo forte e lento
Te fez perder qualquer tormento
E o medo de ter medo me fez
Chorar um pouco mais
Que os tempos de infancia
Quando eu brincava de herói
E pensava que era tudo paz
Mesmo sabendo que o mundo
Era muito mais.

11 de jan. de 2009

Horizonte

Azul

Eu não sou de usar
Palavra empolada pra me expressar
Prefiro fugir dos maneirismos mil
Do que tentar enfeitar o que não sei dizer
E eu que tinha medo de ser trivial
Agora só escrevo pra descalçar o mal
Aquele mal que outrora andara por aqui
Já nem vi, já correu, já partiu
Se for voltar, que seja amanhã ou depois,
Pois agora quero descansar
Quero uma volúpia casual, quero o mar
Um abraço de primo, comida de vó
Quero um "oi" e, talvez, o sexo
De uma donzela qualquer,
Pendões de vitória, ninfas de manhã,
Brisas fortuitas, maré cheia, fui embora
Sujei de humano o grande lago azul

Deixa soar a lira dos acasos
E o eco dos meus passos
Vai alcançar o horizonte azul
Deixa eu fitar o horizonte azul
Quero gozar o horizonte azul
E eu vou lá

Eu não sou de usar
Palavra empolada pra me expressar
Prefiro fugir dos maneirismos mil
Do que tentar enfeitar o que não sei dizer
Me cansei e já nem sei dizer
Por que há de ser o norte o sul?
Por que há de ser minha ânsia vã
Se acordei com minha voz sã?
O barulho escuro da chuva vai repousar

Deixa soar a lira dos acasos
E o eco dos meus passos
Vai alcançar o horizonte azul
Deixa eu fitar o horizonte azul
Quero gozar o horizonte azul
E eu vou lá

Quero me perder nesse azul
Quero me prender nesse azul
E eu vou lá.

3 de jan. de 2009

Coletivo

Para aqueles que por algum motivo acompanham este blog ou passam por aqui aleatoriamente, este é um post diferente. Dessa vez, posto para indicar um blog coletivo na qual tive o prazer de ser convidado a participar.

São 15 pessoas postando nos dias ímpares do mês sobre poesia, prosa, artes plásticas, ilustração, vídeo, eventos, discussões, música, animação, etc. Só pra constar, meu dia de postagem é dia 3 e hoje foi meu primeiro post.

Que venham outros e que venham os outros!

O link para aqueles que quiserem conhecer o projeto é:
http://manazinabre.blogspot.com/

Abraço a todos e feliz 2009.

28 de dez. de 2008

Será?


Exercícios

Eram 3 da manhã quando sentou-se ao meu lado
Não importa o que havia acontecido antes
A multidão dançava e bebia e eu espiava tudo dali
Sentei e fiquei só flertando com a cerveja
Já era a quinta ou sexta, sei lá, nem contei...
Vez ou outra, olhava meio de lado e esperava
Qualquer gesto que implicasse um sim ou talvez
Vai ser agora? Não! Não dessa vez! Só impressão!
Levantou-se, meu coração acelerou, e agora?
Vai encontrar alguém? Vai embora? Não ainda! Volta!
Tinha saído do meu campo de visão. Já era! Se foi!
Pensei em me levantar, procurar, mas não. Melhor não!
Acho que é hora de ir embora, a noite acaba aqui!



De repente, voltou segurando uma bebida qualquer
Sentou-se e meu coração, de novo, acelerou
Vi que me olhou por alguns segundos, mas nada
Nenhum sinal de empolgação, nada, absolutamente nada
Bebeu mais uns 2 goles daquela bebida verde com gelo,
Olhou pra mim novamente, semblante sereno, sorriu,
Sorriso meio sem graça, mas já era um sinal. Ou não?
Eu estava me sentindo linda naquele vestido azul
Laço no cabelo, maquiagem leve, bolsa combinando
Não é possível que ele não tenha me notado
Outros vieram flertar comigo, mas não! Não quis!
Um minuto de relutância, dois de afasia...

Ah... Ele nem era tão bonito assim!
Não era alto, nem forte, nem estiloso ele era!
Mexeu nos cabelos, coçou de leve a barba e o nariz,
Bebeu mais 2 goles, me olhou e ameaçou puxar assunto...
Como eu estava fingindo não ver, ele recuou
Vi que pensou em se levantar, mas desistiu
Ah... Ele me queria! Quase certeza que queria!
Tirou o celular do bolso e ameaçou ligar pra alguém
Começou a escrever uma mensagem, parou,
Guardou o celular no bolso, pegou de volta,
Voltou a escrever uma mensagem, me olhou,
Respirou fundo, se aproximou meio sem jeito:
"Perdão... Queria que visse algo." - me disse
Em seguida, veio me entregando o celular
"Essa mensagem eu vou mandar pra vc,
quando me der o seu telefone."

Sorri um sorriso de canto de boca
É... Era mesmo ele! Eu não estava enganada!

11 de dez. de 2008

Café diário

Açúcar

Eu sou agora um pouco mais

Que os restos não vividos de ontem
E amanhã serei um tanto mais

Do que as verdades que escondi,
As bromélias que eu vi,

E a cerveja que matei no bar


O placebo que tomei pra me curar

Só solfejou meu trabalho diário
Não valeu a pena o copo d'água
Não valeu o tempo da degustação

Ainda descubro a cura para todo mal
Ainda farei da sorte subterfúgio

Mas quer saber? Já passou!

Já me esquivei da quina
Já virei a página


Agora, ando meio erótico, meio bucólico,
Buscando a distração à noite toda
Esperando pelo bis de amanhã... E que venha!

Gondry que me perdoe, mas eu

Rebobinei minha mente sem lembranças
Sem direito a stop ou replay
Sem direito a regravação de cena
E as lembranças poucas que me restaram
É um quiprocó do óbvio
Que Deus me livre e guarde!


Eu quero partilhar meu vinho,
Minha foto estampada, um nome bobinho,
Eu quero um abraço no refrão
Eu quero o colo e um pouco mais
Uma xícara de açúcar, meia colher de chá.

15 de nov. de 2008

Raff

Auto-retrato

Num retrato falado, eu me encontrei
Com traços errados de lápis 6b
Reforçados com pingos de nanquim 0.3
Virei croqui e nem vi meu ser que jaz
Da pintura errada, virei verbo soberbo
Daqueles que você se esforça pra não usar
Daqueles que você coloca adjetivo no lugar
Uma noite apenas, talvez, nunca mais
Meu traço só era bonito de longe
De perto virou borrão, desmanchou
O couchê virou fosco
Amassou, por fim, rasgou
Nem tive tempo de me mostrar
Talvez, você esperasse uma aquarela
E ainda era tudo um rascunho
Nem houve chance de terminar
Pensando bem, nem de começar
Uma noite apenas, talvez, nunca mais
E semana que vem, tanto faz?
Então pega o papel e joga fora...

Ou pega o papel e deixa eu fazer meu auto-retrato
Que é pra não ter chance de se enganar.

3 de nov. de 2008

Faltam 3 dias...


Pouporri

Vislumbrou, repetiu,
Ouviu mais do que se viu,
Nem precisou tocar
Pra se entregar...
As notícias de domingo
Já não me interessam mais
Meu programa favorito de segunda,
Eu nem quis assistir
Deixei de botecar na quarta
Só pra te ver sorrir
E na sexta, de noitinha,
Você chegou
As próximas horas serão
Inesquecíveis.

30 de out. de 2008

Você merece um poema

Segue em linha reta até onde a rua acaba
Segue em linha reta até quando a linha é curva
Não dorme ainda, espera pra chegar até o final
Qu'é pra não se perder, porque eu já me perdi

Segue em linha reta para onde a luz aponta
Segue em linha reta e esquece essa distância
Amanhã quero acordar e me perder um pouco mais
Porque eu já esqueci como é me perder

Já não esperava mais nada depois da quinta vez
Já contava os dias pra chegar o fim do mês
E assim, de tanto não esperar, que apareceu
Ah... Você até merece um poema

Quinta-feira não é dia de nada
Não tem futebol na TV, não tem festa,
Não é início de semana, nem final
Era pra ser só o dia que antecede a sexta

Já não esperava mais nada depois da quinta vez
Já contava os dias pra chegar o fim do mês
E assim, de tanto não esperar, que apareceu
Ah... Você vai virar poema.

29 de set. de 2008

Serviu?

Não serve mais

Te apresento o meu sorriso meia boca
Meia cara, tanta luta, tanta dívida
Te apresento o meu jeito desregrado,
Meu cabelo despenteado, meu soluço,
Tanta esquiva que esboça vida

Eu sinto a falta do almoço e do jantar
Que minha mãe oferecia sem eu precisar comprar
Eu sinto a falta dos meus dias mais completos
Meus domingos indigestos que demoravam a passar

Tantas mudas, tantas vigas, tantos espinhos
Que já sangrei até cansar, já calei até gritar,
Já sentei, e já cansado de sentar, deixei derramar
Vinho tinto no meu terno favorito
Só assim eu pude ver que de tão sujo,

já não me servia mais.
Eu já não servia mais.