27 de mai. de 2009

A comemoração de 1 ano e 9 meses de blog

E desde quando isso é razão pra comemorar?

Acordei com vontade de escrever um pouco mais sobre mim do que quase todo mundo sabe. Acho que não me lembro de ter tido essa vontade de escancarar a porta. Nas vezes que escrevi de mim, escrevi disfarçado de narrador ou me escondi através de um eu-lírico letárgico.

Filho de Leonardo e Cleonice, irmão mais velho de Diêgo, pisciano, nasci em 25 de fevereiro como Leonardo Curcino Alves de Sousa Junior e acabei virando só Leonardo Curcino ou Leo Curcino mesmo (como instituiu o Victão no coletivo manazinabre.blogspot.com, na qual participo todos os terceiros dias do mês, fora algum displicente atraso). Nasci mineiro, virei goiano e agora estou paulistando. Na terra das oportunidades e do caos, formado publicitário, vim buscar meu brio. Os holofotes que sonhava na infância ainda não vieram, nem mesmo o sucesso e a estabilidade, mas veio a independência.

Provavelmente, a publicidade tenha sido mera consequência. A paixão pela arte veio logo cedo. Aos 6 ou 7 anos, dava meus primeiros rabiscos. Aos 10, comecei a pincelar. Depois, vieram o interesse por quadrinhos, literatura, poesia, música e cinema. Acabei me envolvendo um pouco com tudo isso e não me dedicando exclusivamente a nenhum. No fim das contas, artista frustrado, virei Diretor de Arte. A tablet substituiu o lápis e o papel, apesar de minha prática com ilustração ter se tornado quase nula. Meu violão, eu encostei em um canto qualquer. Os quadros que pintei se perderam em uma das mudanças de residência e as tintas guache, nanquim e óleo deram lugar ao Photoshop. Continuo escrevendo com ar de quem não sabe muito onde quer chegar. Geralmente, gosto de me expressar através de poemas, mas me arrisquei a escrever em prosa umas 5 ou 6 vezes. Não gosto de escrever coisas longas. Fico com medo de me perder e a história perder o ritmo, a graça e o rebolado.

Costumo falar que meus poemas são semi-poemas ou irregulares e, consequentemente, eu sou um semi-poeta. Não tenho a disciplina dos gregos em escrever seguindo as normas. Não ligo pra métrica, pra rima e pro ritmo. Não me preocupo se minhas estrofes são monostícas, dísticas, ..., quintilhas e assim por diante. Não me preocupo com os antecantos e bordões. Não tenho a menor paciência pra escansão. Prefiro usar e abusar das licenças poéticas e alegorias. Até entendo os conservadores que consideram tal prática irresponsável, mas não me importo, sinceramente.

Nesse 1 ano e 9 meses de blog, escrevi sobre vários assuntos, mas devo concordar que a principal temática foi o amor. O mais curioso de tudo isso é que eu nunca tinha amado, até então. Talvez, tenha gostado de uma ou outra pessoa, o que é normal, mas sempre me inspirei nos romances de filme, casais de amigos, em pontos de ônibus, restaurantes, cinema ou, talvez, no romance que gostaria de viver. Ele veio. Hoje, vejo como muitas coisas que eu escrevi servem pra mim e fazem muito mais sentido agora. Hoje, quase todas as canções de amor fazem sentido. Prova disso é que foram 76 posts e o único texto que não era meu é justamente dela! Mais curioso ainda é que se estamos juntos hoje é principalmente graças a este blog, já que foi através dele que nos conhecemos e através dele que veio o encanto recíproco. Obrigado Volúpia Casual, obrigado por cada palavra, cada data, cada comentário, foi tudo muito válido.

Espero que venham muitos outros anos e meses. Espero que o sucesso venha. Espero que os leitores LEIAM e comentem. Espero que hoje eu não tenha que trabalhar até tarde. Espero que o Corinthians seja campeão. Espero que o romance dure. Espero que a volúpia continue e seja, cada vez, menos casual.

25 de mai. de 2009

Travesseiro e cobertor


Me aconcheguei entre seus seios cobertos por uma confortável blusinha rosa semi-decotada. Era muito mais uma cena de conforto do que erótica, mas foi impossível não querer estar dentro de você naquele momento. Foi impossível controlar meu sexo que palpitava por baixo da bermuda. Aquele momento durou uns três minutos ou, talvez, tivessem sido quinze ou vinte, sei lá... Cá entre nós, eu fiz questão de aproveitar cada segundo daquele instante. Quando acabou, não sei se estava me sentindo melhor ou pior por ter acabado. Me bateu uma súbita ansiedade quase desesperadora. Agora, vou ter que esperar a semana inteira pra deleitar suas roupas, invadir suas pernas, manchar seu lençol...

Mas... E se semana que vem não chegar? E se me deixar na quarta ou na quinta?
Não é algo lá tão impossível considerando a inconstância do mundo e a sua inconstância. Esse pensamento trouxe consigo uma súbita agonia e uma taquicardia que preferi não assumir. Passou.

Tentei uma ou quatro vezes, mas não consegui me lembrar qual foi a última conversa que tive com seu travesseiro nem o último segredo que contei para seu cobertor, mas alguns suspiros depois, pude ouvir ambos me chamando insistentemente. Era como se eles fizessem questão de minha presença. Essa sensação me deu um pouco de paz interior. Passou. Mas pelo menos, sentia que os objetos da sua casa me queriam por perto. Talvez sua cachorrinha de estimação e o video game do seu irmão também queiram. Uma ou outra coisa também devem gostar da minha presença. Você, talvez, de vez em quando, também goste, mesmo eu não estando sendo nem de longe o homem que gostaria de ser.

Arrumei de qualquer jeito a mochila que sempre levo, esqueci alguma coisa ou outra em seu quarto - talvez, propositalmente, pra ter a certeza de que vou voltar pra buscar - e embarquei. Dentro de três ou cinco horas estaria em casa, dormiria uns trinta ou cinquenta minutos e iria para o trabalho. Pronto. Começou de novo. Estou sendo vencido pelo sono. Talvez, nem consiga terminar de escrever até o final. Acredito que dentro dos próximos instantes, irei apagar aqui no onib

4 de mai. de 2009

Sexta


É triste começar um texto falando do final. É como revelar o final do filme no trailer ou casar o galã e a mocinha da novela no primeiro capítulo. É desconcertante e pode até tornar a obra pobre, mas desculpem esse fraco pseudo-poeta se arriscando a escrever sem versos. Não consigo fazer diferente agora. É segunda-feira e segunda-feira é dia de despedida. 

Ela embarcou hoje de manhã e levou consigo o sorriso sereno. Deixou comigo a saudade pré adquirida e o sono de uma noite mal dormida. Estes embarcaram comigo no metrô enquanto eu ainda procurava a mão que me conforta. Semi-acordado, estupefato, tateando o assento do trem, cheguei a tocar a mão de uma senhora ao meu lado. Com um semi-pulo, acordei sem graça quando percebi que era a mão errada. Mas era como se a mão dela ainda estivesse presente. Era tão recente a despedida que eu ainda não tinha me acostumado com sua ausência. Ainda não tinha digerido. A sensação de afasia é bem mais aparente no dia da partida e no dia que antecede a partida!

Foi-se o dia, entardeceu, anoiteceu... Amanhã é terça, quarta tem jogo decisivo do meu time e quinta é o dia que antecede o fim da falta. Que o relógio acelere. 

24 de abr. de 2009

Piada

Espetáculo de absurdos

Foi somente uma piada sem graça
Para animar um espetáculo de absurdos
Os artistas se esconderam atrás do vermelho
O público foi embora sem aplaudir
E todos os flashs foram em vão.

19 de abr. de 2009

Perdendo os sentidos

Quisera eu ser a única por quem suspiras
E a única a ouvir todas as noites teus gritos loucos, roucos

Quisera eu beijar-te os lábios ternos
E degustar-te todo o corpo, até que te quedes morto

Quisera eu tocar-te a pele cálida, atingir-te a alma
E então descobrir aquilo que ocultas, sem culpas

Quisera eu o teu cheiro em minhas vestes
E que só comigo partilhasses tal perfume, para que eu jamais perecesse de ciúme

Quisera eu fixar em ti meus olhos,
Contemplar-te a face serena e encabular-te sem pena.

*Quanto ao meu sexto sentido de mulher,
Revelo que este não menos te quer
Seja na tristeza ou na alegria,
Seja na poesia do dia-a-dia.


"Querido, a diversidade de tempos verbais teve o seu propósito. Foi a forma que encontrei de demonstrar que o que sinto por ti ocorre em qualquer tempo.

Te amo.

Beijos,
da tua Aline.

18/04/2009"

30 de mar. de 2009

Queria...

Me bastasse

Queria tanto um amor, súbito,
Devastador, sem sentido,
Que me arrebatasse,
Me desmaiasse,
Me amassasse o vestido

Queria que me encontrasse,
E me observasse à distância,
Como alguém da mais remota infância
Um alguém sorridente, de covinha indecente,
Que me dissesse nos lábios
O mesmo que meu peito
Que me batesse nas veias
O mesmo fervilhar sem jeito

Queria tanto amar
Sem culpa ou lugar, caminhar na calçada
- de mãos dadas -
Ser feliz na orla, na sorveteria,
No bar, na drogaria
Meu cachorro, sua poesia


Queria tanto saber que fiz alguém feliz,
Que esse alguém sente minha falta,
Que me procura nos desenhos das nuvens
Me bastasse uma vida contigo
Me bastasse um minuto de ti
Me bastasse...

Avesso


Simplesmente

E nada disso importa
É uma noite assim
Que me deixa do avesso
Amanhã meu patrão vai ligar
E você vai dizer a ele que
Não fui simplesmente porque
Não sabia onde ir.

16 de mar. de 2009

Já decidi.

Segunda-feira
Segunda-feira brada forte as suas dádivas
E as suas dúvidas não se calam ao amanhecer
É quase um vínculo, um faz-parte-do-seu-ser,

Mas minha dívida não termina no fim do mês
Nem mesmo a minha eloquência obtusa
Nem mesmo a minha rude transparência
Eu não vou desistir dos seus versos
Eu não vou esquecer seus gestos ás
Eu não vou aviltar sua bela face
Logo agora que encontrei a minha paz?
Logo agora que me perdi com teus sinais?
Bastou só um sorriso de canto de boca
E eu não tinha mais dúvidas,
Não tinha mais dívidas, só paz
Deitei ao seu lado uma vez
E eu não tinha mais dúvidas,
Não tinha mais dívidas, só paz
Já decidi pra onde quero que a ventura me leve.

17 de fev. de 2009

Sei?

Assim

Cheguei ate aqui assim

Sem saber se deveria chegar
Caminhei ate ali assim

Sem saber pra onde caminhar

Pulei, corri, chorei, sorri

Tudo sem saber do fim
Tudo sem lembrar do começo

Tudo sem saber do fim.

1 de fev. de 2009

2 em 1 só

Calmaria

Toda essa vontade
viciante

Que não espera
amanhecer

É tudo indício,
é quase um gesto,

Um jeito da
vida dizer

Que daqui pra frente vai ser eu e você
E todo esse caos rubro que anuncia -
Trânsito, ponte, Sé e Barra Funda -
Não é maior que meu desejo de calmaria
Noite e dia, noite e dia

Nada melhor do que acordar
E poder te dizer bom dia.

Era

Meu segredo mais guardado

É maior que teu pior pecado
E meu desejo forte e lento
Te fez perder qualquer tormento
E o medo de ter medo me fez
Chorar um pouco mais
Que os tempos de infancia
Quando eu brincava de herói
E pensava que era tudo paz
Mesmo sabendo que o mundo
Era muito mais.