Seresta
Ela foi pra farra
Se divertiu na festa
Bebeu todo o vinho
Dançou todas as músicas
Encantou todos os rapazes
E, talvez, por bondade
Não quis se encantar
Voltou no raiar do dia
Acordou só de tardinha
Com meia vontade de me ligar
Almoçou bem almoçado
Banhou-se bem banhado
Sentou toda gracinha
Com seu jeito de menina
E pôs-se a estudar
Ligou o Eduardo,
Ligou o Caio, o Bonzinho,
Márcio, Renan e Quinho
No corpo, uma blusa
O coração palpita uma letargia
Fez que ia, mas a cabeça ardia
Deixa essa menina sambar em paz
Deixa essa menina sambar.
13 de mar. de 2010
Memórias 2
O último bilhete
Entrou no ônibus
Olhou pra trás pela última vez
"Não veio, seguiu"
Tinha que seguir também
Entrou e deitou na poltrona
Fechou os olhos, mas não dormia
Lá vem a chuva pra molhar essa tristeza
Lá vem a estrada pra aumentar essa azia
Derramou na blusa a última lágrima
Reservou no peito aquele vazio
Guardou com carinho o último bilhete.
Entrou no ônibus
Olhou pra trás pela última vez
"Não veio, seguiu"
Tinha que seguir também
Entrou e deitou na poltrona
Fechou os olhos, mas não dormia
Lá vem a chuva pra molhar essa tristeza
Lá vem a estrada pra aumentar essa azia
Derramou na blusa a última lágrima
Reservou no peito aquele vazio
Guardou com carinho o último bilhete.
Memórias
O melhor do máximo
Guardava suas melhores cuecas e
Suas melhores roupas pra quando ia vê-la
Pra ela, ele tentava se fazer bonito,
Tentava fazer seu melhor leiaute,
Usava o melhor perfume, o melhor sapato,
Penteava melhor o cabelo, se olhava mais no espelho
Pra ela, ele fazia melhor a barba,
Tomava os melhores banhos e
Escovava melhor os dentes,
Lavava os cotovelos, o vão dos dedos,
Esfregava os joelhos e os pés descalços
Pra ela, ele escreveu seus melhores poemas,
Dedicou seus melhores sorrisos,
Deu seus melhores presentes
Com ela, teve seus melhores beijos,
Os melhores brinquedos,
As mais doces memórias
Ficou essa vontade desnorteada,
Toda essa dor nas juntas,
Uma quimera aqui no peito
Ficou sem jeito, perdeu o rumo.
Guardava suas melhores cuecas e
Suas melhores roupas pra quando ia vê-la
Pra ela, ele tentava se fazer bonito,
Tentava fazer seu melhor leiaute,
Usava o melhor perfume, o melhor sapato,
Penteava melhor o cabelo, se olhava mais no espelho
Pra ela, ele fazia melhor a barba,
Tomava os melhores banhos e
Escovava melhor os dentes,
Lavava os cotovelos, o vão dos dedos,
Esfregava os joelhos e os pés descalços
Pra ela, ele escreveu seus melhores poemas,
Dedicou seus melhores sorrisos,
Deu seus melhores presentes
Com ela, teve seus melhores beijos,
Os melhores brinquedos,
As mais doces memórias
Ficou essa vontade desnorteada,
Toda essa dor nas juntas,
Uma quimera aqui no peito
Ficou sem jeito, perdeu o rumo.
11 de mar. de 2010
Retirou
A cura
Retirou todas as fotos
Escondeu meu porta-retrato
Se desfez dos belos fatos
Praticou a arte do desapego
Foi sem medo, tirou o anel
Sei que leu meus versos
Tão singelos, tão seus
Sei que viu meus recados
Tão jogados, tão meus
Talvez, nem se encante mais
Pedi que o amanhã chegasse
Que o vento retornasse
Pedi luz de velas, mais um mês
Traguei a sorte, joguei xadrez e
Levei um cheque do freguês
Comprei cebola pra temperar a janta
Comprei roupa pra alimentar o ego
Andava tão magro o coitado
Decidi deixar o tempo avisar
Se vai cair, se vai curar.
10 de mar. de 2010
Escuta
Aquela
Alegria
Toda
Prova
De amor
É pouca
Boca
Com
Boca
Unhas
Nas
Costas
Dentes
Na nuca
Dedos
Na fruta
Me escuta
Me escuta
Quero
De novo
O olho
Que brilha
O sorriso
Que trilha
Essa
Alegria
Aquela
Alegria
De outro
Dia.
Alegria
Toda
Prova
De amor
É pouca
Boca
Com
Boca
Unhas
Nas
Costas
Dentes
Na nuca
Dedos
Na fruta
Me escuta
Me escuta
Quero
De novo
O olho
Que brilha
O sorriso
Que trilha
Essa
Alegria
Aquela
Alegria
De outro
Dia.
O troco
Contei todos os ladrilhos, todos os mendigos,
Todas as claves da Avenida São João
Ouvi todas as buzinas, cruzei as esquinas
Olhei móveis usados, cofres enferrujados,
Comi um lanche duvidoso, reclamei do sol
Lá do alto do viaduto, helicópteros
Contemplando o trânsito lento, enquanto
Aqui em baixo, vários corações acelerados
Os trinta e três que estavam encostados
Continuaram deitados depois do tiro
Foi só um estalo, só um grito que se ouviu
Ninguém parou, ninguém sentiu
Segue a rotina, Avenida São João
Deixei alguns trocados no chão.
Todas as claves da Avenida São João
Ouvi todas as buzinas, cruzei as esquinas
Olhei móveis usados, cofres enferrujados,
Comi um lanche duvidoso, reclamei do sol
Lá do alto do viaduto, helicópteros
Contemplando o trânsito lento, enquanto
Aqui em baixo, vários corações acelerados
Os trinta e três que estavam encostados
Continuaram deitados depois do tiro
Foi só um estalo, só um grito que se ouviu
Ninguém parou, ninguém sentiu
Segue a rotina, Avenida São João
Deixei alguns trocados no chão.
3 de mar. de 2010
Desatenção
Receio do remorso
Ah... Essas cerdas estão dilacerando
As válvulas de escape, as bobinas
As marcas, as intenções bem vindas
Livre da cegueira das verdades cretinas
Livre dos maldizeres, dos guerreiros cansados
Lamúrias de amor por não querer outras meninas,
Intenso olhar de quem não sabe mais
Inventar poema, buscar quase paz
Imediatamente, o sono bate a sua porta
Naquela vez, era medo da derrota
Neve na porta, o frio não importa
Nessa sina, resta pele, osso e carne viva
E toda essa carícia que me cativa
Esqueça todas as mágoas, toda essa mira
Esvazie os potes, retire o que resta de ira
Perdoa os desavisados, os lerdos, os afastados
Perdoa os diferentes, os fracos, os desviados
Pensa na mudança, na esperança, na semelhança
Pensa na luta passada, na foto guardada
Pensa na mão que não larga a outra mão consolada
Pisa nos cacos, ressuscita a doçura de menina.
Refém
Perdeu o emprego, perdeu a voz
Perdeu o milagre do dia ensolarado
Perdeu alguns trocados a capa vermelha
A armadura de ferro o dedo de agulha
Perdeu a vontade de ter coragem
Derramou a gasolina de seguir em frente
Refém do tempo, refém do vento...
Perdeu o milagre do dia ensolarado
Perdeu alguns trocados a capa vermelha
A armadura de ferro o dedo de agulha
Perdeu a vontade de ter coragem
Derramou a gasolina de seguir em frente
Refém do tempo, refém do vento...
19 de fev. de 2010
Como os meus
Tanto faz
E foi assim
Que a vida ofereceu a ti tantos troféus
De prêmios tão pequenos,
Bem pequenos,
Mais que eu
Sei que te quero forte,
Sei que te quero fraca,
Eu quero teu afago,
Eu quero o teu tapa
Eu busco o teu beijo,
Respeito o teu choro
De tão infantil e tolo,
Receitei o meu remédio
Matei tua anemia,
Dei bom dia,
Tirei teu sono
Eu aceito você larga,
Espero você curta,
Eu espero teu endosso,
Aceito você turva,
Entendo a tua culpa,
Peguei tua dor no colo,
Roubei tua mediunidade,
Uni com boa vontade,
Aprendi uma oração pra
Dar vazão ao que eu sentia
Sei que eu te quero nobre,
Sei que eu te quero pobre,
Não esqueço os teus seios,
Suas curvas,
Seus apelos,
Sei que eu te quero linda,
Sei que eu te quero feia,
Eu quero você jovem,
Meia idade,
Idade inteira
Invado o teu sexo,
Te apresento nossos filhos
Roubo teu travesseiro,
Empresto o meu colo,
Ombro e pernas torturadas
Por toda essa ladeira,
Essa cadeira, essa escada
Sei que eu te quero inteira,
Aceito os teus pedaços
Sei que eu te quero viva
Não suporto você longe
Prefiro minha alergia
Que a saudade de outro dia
E foi assim
Que a vida ofereceu a ti tantos troféus
De prêmios tão pequenos,
Bem pequenos,
Como os meus.
E foi assim
Que a vida ofereceu a ti tantos troféus
De prêmios tão pequenos,
Bem pequenos,
Mais que eu
Sei que te quero forte,
Sei que te quero fraca,
Eu quero teu afago,
Eu quero o teu tapa
Eu busco o teu beijo,
Respeito o teu choro
De tão infantil e tolo,
Receitei o meu remédio
Matei tua anemia,
Dei bom dia,
Tirei teu sono
Eu aceito você larga,
Espero você curta,
Eu espero teu endosso,
Aceito você turva,
Entendo a tua culpa,
Peguei tua dor no colo,
Roubei tua mediunidade,
Uni com boa vontade,
Aprendi uma oração pra
Dar vazão ao que eu sentia
Sei que eu te quero nobre,
Sei que eu te quero pobre,
Não esqueço os teus seios,
Suas curvas,
Seus apelos,
Sei que eu te quero linda,
Sei que eu te quero feia,
Eu quero você jovem,
Meia idade,
Idade inteira
Invado o teu sexo,
Te apresento nossos filhos
Roubo teu travesseiro,
Empresto o meu colo,
Ombro e pernas torturadas
Por toda essa ladeira,
Essa cadeira, essa escada
Sei que eu te quero inteira,
Aceito os teus pedaços
Sei que eu te quero viva
Não suporto você longe
Prefiro minha alergia
Que a saudade de outro dia
E foi assim
Que a vida ofereceu a ti tantos troféus
De prêmios tão pequenos,
Bem pequenos,
Como os meus.
9 de fev. de 2010
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