28 de dez de 2008

Será?


Exercícios

Eram 3 da manhã quando sentou-se ao meu lado
Não importa o que havia acontecido antes
A multidão dançava e bebia e eu espiava tudo dali
Sentei e fiquei só flertando com a cerveja
Já era a quinta ou sexta, sei lá, nem contei...
Vez ou outra, olhava meio de lado e esperava
Qualquer gesto que implicasse um sim ou talvez
Vai ser agora? Não! Não dessa vez! Só impressão!
Levantou-se, meu coração acelerou, e agora?
Vai encontrar alguém? Vai embora? Não ainda! Volta!
Tinha saído do meu campo de visão. Já era! Se foi!
Pensei em me levantar, procurar, mas não. Melhor não!
Acho que é hora de ir embora, a noite acaba aqui!



De repente, voltou segurando uma bebida qualquer
Sentou-se e meu coração, de novo, acelerou
Vi que me olhou por alguns segundos, mas nada
Nenhum sinal de empolgação, nada, absolutamente nada
Bebeu mais uns 2 goles daquela bebida verde com gelo,
Olhou pra mim novamente, semblante sereno, sorriu,
Sorriso meio sem graça, mas já era um sinal. Ou não?
Eu estava me sentindo linda naquele vestido azul
Laço no cabelo, maquiagem leve, bolsa combinando
Não é possível que ele não tenha me notado
Outros vieram flertar comigo, mas não! Não quis!
Um minuto de relutância, dois de afasia...

Ah... Ele nem era tão bonito assim!
Não era alto, nem forte, nem estiloso ele era!
Mexeu nos cabelos, coçou de leve a barba e o nariz,
Bebeu mais 2 goles, me olhou e ameaçou puxar assunto...
Como eu estava fingindo não ver, ele recuou
Vi que pensou em se levantar, mas desistiu
Ah... Ele me queria! Quase certeza que queria!
Tirou o celular do bolso e ameaçou ligar pra alguém
Começou a escrever uma mensagem, parou,
Guardou o celular no bolso, pegou de volta,
Voltou a escrever uma mensagem, me olhou,
Respirou fundo, se aproximou meio sem jeito:
"Perdão... Queria que visse algo." - me disse
Em seguida, veio me entregando o celular
"Essa mensagem eu vou mandar pra vc,
quando me der o seu telefone."

Sorri um sorriso de canto de boca
É... Era mesmo ele! Eu não estava enganada!

11 de dez de 2008

Café diário

Açúcar

Eu sou agora um pouco mais

Que os restos não vividos de ontem
E amanhã serei um tanto mais

Do que as verdades que escondi,
As bromélias que eu vi,

E a cerveja que matei no bar


O placebo que tomei pra me curar

Só solfejou meu trabalho diário
Não valeu a pena o copo d'água
Não valeu o tempo da degustação

Ainda descubro a cura para todo mal
Ainda farei da sorte subterfúgio

Mas quer saber? Já passou!

Já me esquivei da quina
Já virei a página


Agora, ando meio erótico, meio bucólico,
Buscando a distração à noite toda
Esperando pelo bis de amanhã... E que venha!

Gondry que me perdoe, mas eu

Rebobinei minha mente sem lembranças
Sem direito a stop ou replay
Sem direito a regravação de cena
E as lembranças poucas que me restaram
É um quiprocó do óbvio
Que Deus me livre e guarde!


Eu quero partilhar meu vinho,
Minha foto estampada, um nome bobinho,
Eu quero um abraço no refrão
Eu quero o colo e um pouco mais
Uma xícara de açúcar, meia colher de chá.

15 de nov de 2008

Raff

Auto-retrato

Num retrato falado, eu me encontrei
Com traços errados de lápis 6b
Reforçados com pingos de nanquim 0.3
Virei croqui e nem vi meu ser que jaz
Da pintura errada, virei verbo soberbo
Daqueles que você se esforça pra não usar
Daqueles que você coloca adjetivo no lugar
Uma noite apenas, talvez, nunca mais
Meu traço só era bonito de longe
De perto virou borrão, desmanchou
O couchê virou fosco
Amassou, por fim, rasgou
Nem tive tempo de me mostrar
Talvez, você esperasse uma aquarela
E ainda era tudo um rascunho
Nem houve chance de terminar
Pensando bem, nem de começar
Uma noite apenas, talvez, nunca mais
E semana que vem, tanto faz?
Então pega o papel e joga fora...

Ou pega o papel e deixa eu fazer meu auto-retrato
Que é pra não ter chance de se enganar.

3 de nov de 2008

Faltam 3 dias...


Pouporri

Vislumbrou, repetiu,
Ouviu mais do que se viu,
Nem precisou tocar
Pra se entregar...
As notícias de domingo
Já não me interessam mais
Meu programa favorito de segunda,
Eu nem quis assistir
Deixei de botecar na quarta
Só pra te ver sorrir
E na sexta, de noitinha,
Você chegou
As próximas horas serão
Inesquecíveis.

30 de out de 2008

Você merece um poema

Segue em linha reta até onde a rua acaba
Segue em linha reta até quando a linha é curva
Não dorme ainda, espera pra chegar até o final
Qu'é pra não se perder, porque eu já me perdi

Segue em linha reta para onde a luz aponta
Segue em linha reta e esquece essa distância
Amanhã quero acordar e me perder um pouco mais
Porque eu já esqueci como é me perder

Já não esperava mais nada depois da quinta vez
Já contava os dias pra chegar o fim do mês
E assim, de tanto não esperar, que apareceu
Ah... Você até merece um poema

Quinta-feira não é dia de nada
Não tem futebol na TV, não tem festa,
Não é início de semana, nem final
Era pra ser só o dia que antecede a sexta

Já não esperava mais nada depois da quinta vez
Já contava os dias pra chegar o fim do mês
E assim, de tanto não esperar, que apareceu
Ah... Você vai virar poema.

29 de set de 2008

Serviu?

Não serve mais

Te apresento o meu sorriso meia boca
Meia cara, tanta luta, tanta dívida
Te apresento o meu jeito desregrado,
Meu cabelo despenteado, meu soluço,
Tanta esquiva que esboça vida

Eu sinto a falta do almoço e do jantar
Que minha mãe oferecia sem eu precisar comprar
Eu sinto a falta dos meus dias mais completos
Meus domingos indigestos que demoravam a passar

Tantas mudas, tantas vigas, tantos espinhos
Que já sangrei até cansar, já calei até gritar,
Já sentei, e já cansado de sentar, deixei derramar
Vinho tinto no meu terno favorito
Só assim eu pude ver que de tão sujo,

já não me servia mais.
Eu já não servia mais.

20 de set de 2008

Velhos olhos de menino


Segunda, quando ele estava voltando pra casa (ou voltando de casa, já que nem sei mais se a casa dele é aqui ou lá), lhe ocorreu que ele é a pessoa certa pra muita gente. Sabe aquela história de que "a pessoa certa faz tudo certinho: chega na hora certa, fala as coisas certas, faz as coisas certas, mas nem sempre a gente está precisando das coisas certas"? Pois é. Ele é um autêntico exemplo de pessoa certa. Mas que culpa eu tenho se as pessoas erradas são muito mais interessantes? Eu juro que tentei ensiná-lo a ser a pessoa errada, mas ele não aprende nunca! Já cansei de repetir as mesmas coisas, mas ele não me dá ouvidos.

Eu não consigo entendê-lo. Tento, analiso, observo os fatos, mas não consigo. Ele continua vendo a vida com aqueles olhos de menino. Menino que acabou de entrar na escola e ora se sente maravilhado, ora sente medo. Onde ele pensa que vai chegar com esses olhos de menino? Quando é que ele vai amadurecer esses olhos de menino?

Toda vez que falo do assunto, ele desconversa e diz que certas coisas é melhor não aprender. Certa vez, ele teve a audácia de me dizer que o melhor a se fazer é enxergar tudo como se fosse a primeira vez. Todo dia, um primeiro dia. Toda lua cheia, uma primeira lua cheia. Todo passo na areia da praia, como se fosse o primeiro passo. Todo gol, como se fosse o primeiro gol. Todo beijo, um primeiro beijo. Todo relacionamento como se fosse o primeiro, como se nunca tivesse sofrido, nunca tivesse brigado, nunca tivesse se decepcionado, nunca tivesse sido deixado, sido esquecido, chorado, se magoado, amado... Todo dia, um primeiro dia.

Onde ele vai parar vendo com esses velhos olhos de menino? Onde é que ele vai parar com esse velho coração de menino? Quando ele vai aprender a ser a pessoa errada? Quando ele vai aprender a não ser a pessoa certa o tempo todo?

6 de set de 2008

Ouvi dizer...

Final feliz

Ouvi dizer que você

É garantia de bem-querer
É certeza de final feliz e
Querer-te é algo que eu jamais quis

Mas bastou você passar por mim
Pr'eu só querer dizer que sim
Bastou então ouvir sua voz
Pr'eu me perder pensando em nós

Foi leve e insosso o meu penar
Quando me dei conta, deixei no ar
Já não entendia mais o peso
De me debater e sair ileso

É quase um artifício em vão
É praticamente um 'meio não'
É verdade imposta, é passageiro
Chegou a hora de rodar o mundo inteiro.

30 de ago de 2008

Sem título

[sem imagem]

Vamos! Apenas me diga quem é você. Sem instintivamente dizer seu nome, idade, profissão. Ou mesmo sem dizer qualquer característica que te insira numa das gavetas hierarquicamente organizadas numa das estantes de madeira da dispensa.


Mas diga a verdade! Sem medo. Sem receio. Tente! Por quê não experimentar o novo? Você continua andando rápido pelas calçadas. Vira o rosto a quem se insinua ou olha para você com um sorriso. Contenta-se em ver o céu por trás dos edifícios. Reprime lucidez e foge de uma possível sensação de frio na barriga.

Você continua deduzindo os outros através de seus trajes.Você continua sendo honesto com todos, menos com si mesmo. Alimenta seus sonhos com papéis coloridos e bem impressos de revistas de direita. Economiza dinheiro para presentear a si mesmo nos fins de ano. Joga sempre lixo no lixo, na tentativa de limpar sua consciência.

É de gente assim que o mundo globalizado precisa. Gente que aprendeu a viver aceitando seu lugar. Gente que paga o que recebe e sempre deve o que vai receber. Gente cuja maior qualidade é fazer o que mais abomina, com quem mais odeia, a qualquer hora, sorrindo. Mas ordens são ordens, não é?

Permaneça assim, já que não te incomoda. Continue como a mulher que escrevia cartas de amor a si mesma. Amontôo de palavras em círculos para se sentir um pouco melhor. Vamos, continue! Mas saiba que nada me faz mais infeliz do que aceitar isso. Continue caminhando. Continue fingindo sua felicidade. No fim, você é menos pior do que eu, que sabe onde estão os erros e continua errando.

*Lembro que escrevi esse texto em um surto de indignação no meu primeiro período de faculdade, depois de uma aula de Teoria da Comunicação. Achei ele mofando por aqui! Acho que agora ele faz mais sentido do que nunca.

29 de ago de 2008

O leão

O mundo se cansou dos ídolos,
Se cansou dos astros e dos gênios
Não há mais lugar para deuses
Não há lugar para os famintos,
Os loucos e humilhados
Esconda o seu desespero
Engula o choro e cuspa fora
Ensgasque com seu medo e
Finja que foi comida mal digerida
Chute as pedras, pule os buracos,
Aproveite um segundo mais feliz
O leão que sempre cavalguei
Ficou prá trás, se perdeu
O leão que sempre me defendeu
Ficou pra trás, se perdeu.

7 de ago de 2008

A assimétrica

Consumista

Hoje eu quero bocagear a minha sorte,
Fugir do Arcadismo, buscar meu norte
Continuo a ignorar os academismos
Até porque não sei escrever sonetos
Eu não ligo pra métrica
Eu não conto as sílabas
Eu gosto é do estalo
Eu gosto é da desconstrução
Da língua em noite de mesa farta
Sou bem mais literal que poeta,
Bem mais consumista que artista
Quando quero, quero agora
Toda hora, toda vida
Eu quero um barco, um avião
Pra viajar por um ano inteiro sem vazão
Eu quero um manto, um disco clássico
Quero um livro ilustrado, um poema rimado
Uma música animada pra dançar sozinho
Quero depósitos em minha conta bancária
Pra sair a noite e tomar whisky
Quero reticências, acento circunflexo,
Vírgulas, mas não quero o ponto final.
Ei, eu já disse: eu não quero o ponto final,

6 de ago de 2008

Aos 16... (Parte 2)

Celebrando o amor perdido

Todas as canções de amor que escrevi,
Foram pensando em teu ardoroso olhar,
No poder de aconchego dos seus braços,
No êxtase indissolúvel de seus beijos

Não me faltam lembranças nítidas
Das suas doces palavras ao vento
Seu sorriso indiscreto e tocante
Seu jeito transparente e indistinto

Restou o gosto amargo do fim
Ficaram suas cartas e as fotos
E eu, alheio as suas intenções,
Para celebrar e colorir meu coração vazio.

*Mais um poeminha da época de adolescência. Se eu tivesse escrito esse texto nos tempos atuais, muitos diriam que ele ficou "emo", mas naquela época nem existia esse movimento ainda. Bons tempos! ;D

5 de ago de 2008

Aos 16...

2 lados

Veja se tem graça se matar de amor
E ainda acordar vivo no outro dia
Lembrar da morte e morrer de novo
Um círculo vicioso
Viciado em você

Eu queria ter uma bomba
Para me livrar do prático efeito das tuas frases
Quintas intenções em quatro simples palavras,
Três sensações em atitudes sensatas,
Dois caminhos... Apenas um é o certo

Cada vez te sinto mais distante
Você se esquece dos bons momentos
Mesmo quando estou perante
Teus olhos... Ja dói tanto que nem tento
Mais lutar por você... Apenas lamento
E sigo a vida como ser, errante e incerto
Se devo ainda tentar viver.

*Achei esse e outros poemas antiiiiigos aqui no meio da minha bagunça. Esse aqui, eu tinha 16 anos quando escrevi. Fazia 2º Ano do Ensino Médio. Não sei de onde surgiu a inspiração pra ele, até porque eu realmente não estava morrendo de amores por ninguém. É uma prova de que nem sempre as coisas que eu escrevo são necessariamente auto-biográficas ou refletem situações que eu estou vivendo. Sendo bem sincero, menos da metade são assim. E é engraçado como é notório o tom adolescente em crise existencial/experimentalista/pseudo-intelectual nas coisas que eu escrevia. Chega a ser engraçado! Achei bacana reler coisas do meu passado e fiquei contente porque sinto que evoluí um pouquinho daqueles tempos pra cá. :)

22 de jul de 2008

Expontaneamente forjado

Foi-se
Expontaneamente forjado foi o meu discurso
E minha ânsia de antecipar a previsão foi só
Mais uma ânsia de me antecipar à previsão
Foi prato cheio pro abismo e eu
Já me cansei de ser mais um a violentar
A causa que me fez querer partir
Já me cansei de ser mais um a esconder
O real motivo de ter vindo até aqui
Foi tudo idealizado então?
Cada palavra? Cada desculpa?
Cada promessa? Cada desfeita?
Cada consolo? Cada beijo no escuro?
Foi tudo idealizado então?
Todo o esforço pra esconder meu rosto,
Disfarçar minha cara cansada, minha indecisão...
Escondi os olhos vermelhos e a cicatriz,
Através de um semblante que não sustento mais
Foi tudo idealizado então?
Cada palavra? Cada desculpa?
Cada promessa? Cada desfeita?
Cada consolo? Cada beijo no escuro?
Foi tudo idealizado então?
Que falta fazem aquelas mãos que me consolavam!
Que falta fazem aquelas conversas de esquina,
Os encontros semanais nem tão pré-planejados
Que sua demora pra descer fazia atenuar
Foi tudo idealizado então?
Foi-se?

18 de jul de 2008

(Re)aprendendo...

Ele já aprendeu várias vezes a não esperar demais das pessoas que o cercam. Aprendeu bem aprendido por sinal. O problema é que ele vive desaprendendo e esquecendo desse detalhe. Continua com essa mania imbecil de acreditar que "dessa vez vai ser diferente". Por essas e outras é que ele vive conhecendo a pessoa da vida dele e logo percebe que esta não era se quer a pessoa do ano ou do mês. Decepcionar-se faz parte, eu sei, mas eu acho que ele deveria ter mais cautela. Por que continua insistindo tanto na mesma história? Pra que essa esperança patética de achar que as pessoas são confiáveis e se importam contigo? Todos sabemos que elas não se importam! Até mesmo as grandes amizades, de certa forma, são uma relação de conveniência. Claro que geralmente a conveniência é recíproca (até porque se não fosse, não seria verdadeira ora bolas), mas não deixa de ser uma relação de interesse. E por assim ser, quando um dos lados deixa de ser interessante ou deixa de ser conveniente, a amizade simplesmente se esvai como uma costura que arrebenta, um brilho que se cessa ou um grito que se cala.

Já parei pra pensar em quantas pessoas eu conheci na vida. Foram tantas pelos lugares que andei. A grande maioria pouco representou, mas mesmo assim me lembro de quase todas elas. Tiveram as que troquei apenas olhares, cumprimentos, 2 palavras, as que eu odiava, as que me desprezavam, as que brincaram comigo, colegas de escola, de trabalho, etc e etc. Tiveram outras tantas que eu considerava amigas e hoje nem devem se lembrar de mim. Há outras que até podem se lembrar de mim, mas agora não passo de um mero desconhecido para elas. E é assim que funciona. Talvez nós tenhamos prazo de validade. Vai saber... O fato é que eu não vejo razão para ele esperar tanto das pessoas. Não vejo razão pra ele procurar tanto essa pessoa certa! Afinal, o que é a pessoa certa? Isso realmente existe? Os poetas, romancistas e autores de novela dizem que sim. O cinema vez ou outra também gosta de retratar esse tipo de coisa. Ah... Tem também os contos de fadas onde as pessoas vivem felizes para sempre em seus reinos encantados. Reino encantado? Deixo isso para os contos de fadas.

Aqui realmente funciona assim: se for ajudar alguém, faça pela boa intenção e não esperando algo em troca. Se apaixonar-se por alguém, não espere a mesma paixão. Se quiser fazer questão de alguém, faça sem medo. Só não espere o mesmo em troca. Pelo menos não espere que isso ocorra com a mesma intensidade e/ou da mesma forma. É aí que ele erra! Ele dá e espera receber de volta! Mas ele ainda há de aprender (ou reaprender).

1 de jul de 2008

Poderia ser você...

Criança qualquer

Essa é a história de uma criança
Que podia ser você...

Então pára de dizer pra ela
Que ela vai ser sua e
Não vai soltar
Pára de escolher pra ela e
Espera pra ser como será

Deixa ela ser pintor
Deixa ela ser canção
Deixa ela ser polícia
Deixa ela ser João

Então pára de dizer pra ela
Que ela vai ser sua e
Não vai soltar
Pára de escolher pra ela e
Espera pra ser como será

Deixa ela ser doutor
Deixa ela ser atriz
Deixa ela ser criança
Deixa ela ser feliz.

28 de jun de 2008

Bem-me-quer

Mal-me-quer
O que sou hoje é reflexo
Das decisões que tomei
Emocionais, certas ou não
Só sei que de algum modo
Eu fiz e isso me fez assim
Agora, encarando o espelho
Eu digo insistentemente
Mal-me-quer, bem-me-quer,
Mal-me-quer, bem-me-quer,
Mal-me-quer... Definitivamente...
Mais uma vez um NÃO...

A prosa dele com ele 2

Ele já estava enjoado das putas da Augusta. Estava com nojo delas. No fundo, acho que ele sempre teve. Já havia cansado de toda aquela perversão. No fundo, acho que ele nunca gostou. Gozar na cara delas já não tinha mais a mesma graça. No fundo, acho que ele nunca viu tanta graça assim. Certa vez, a dona do quarto que ele alugava na Pamplona perguntou como um rapazinho tão distinto gastava tanto dinheiro com puta. "Não é possível que você não consegue arrumar uma namoradinha. Você é um rapaz bonito, simpático... Por que perder tempo com essa gente?" - ela comentou. No outro dia, ele pegou suas coisas e foi procurar outro lugar pra morar. Há cinco anos, depois de ter tomado o maior tombo da sua existência, ele prometeu a si mesmo que nunca mais deixaria ninguém se intrometer em sua vida.

Repentinamente, veio à tona cada segundo do seu ano. E olha que o ano já estava na metade e muita coisa tinha acontecido e desacontecido. Logo em seguida, flashs de toda a sua vida apareciam len-ta-men-te, depois rapidamente, depois len-ta-men-te de novo e rapidamente... Naquele momento, ele visualizou o seu futuro e não gostou muito do que viu. Ou talvez, tenha gostado, não sei. A confusão naquele quarto estava tão concreta quanto sua cama e o armário. Sua ânsia por auto-afirmação era tamanha que ele evitava se ver no espelho enquanto não se convencesse de que era bom o suficiente pro que o esperava lá fora.

Era domingo e ele havia tirado o dia pra decidir o que queria fazer da vida. Decidiu que, antes de qualquer coisa, ele passaria a ser a sua maior prioridade. Ele havia decidido, finalmente, deixar de ser coadjuvante para ser o protagonista do seu filme (não me lembro onde vi essa citação, mas acho que se encaixa perfeitamente aqui). No mesmo instante, lembrou de tudo que já havia priorizado antes. A maioria daquelas coisas não fazia o menor sentido agora. A maioria daquelas pessoas, ele nunca mais viu e, talvez, nunca mais verá. Sentiu uma leve vergonha por ter se entregado tanto, por ter sido tão omisso, ter sido tão emocional e nada racional. Quanto disparate! Perdera muito tempo gostando de pessoas não gostáveis, conhecendo pessoas não conhecíveis e se relacionando com pessoas não relacionáveis. Mas será? Não seria muita prepotência achar que o problema sempre está nos outros? Talvez seja muita pretensão, mas ele acreditava, invariavelmente, que a culpa jamais foi dele. Pelo menos isso ele ainda tinha de sobra. Ninguém jamais conseguiu convencê-lo de que foi ele o responsável por cada fato marcado, por cada momento marcante, por cada segundo cortante...

27 de jun de 2008

A prosa dele com ele 1

Hoje ele acordou querendo ser forte. Escovou os dentes com força. Mastigou com força o pão com manteiga. Fechou com força a porta da sala. Apertou com força o botão do elevador. Força, excesso de força. O que ele pretendia com tudo aquilo? O que ele queria provar pra quem? Ele estava se distanciando das pessoas importantes, cada dia mais. Seguia uma rotina formal do-trabalho-pra-casa-da-casa-pro-trabalho. Pensando bem, será que essas pessoas importantes são realmente importantes? Será que elas realmente se importam? O fato é que agora era nada além de seu quarto e suas velhas anotações. O que ele tanto anotava? O que ele tanto pensava? Afinal, ele sempre foi tão acostumado a nunca ter razão. Por que isso o incomoda tanto agora? A verdade é que uma hora cansa. Nem o mais inerte dos seres humanos consegue viver só de imbróglios sem que isso afete consideravelmente seu estado emocional. E ele sabe que o que é dramático hoje pode ser saudade amanhã. E a saudade um dia aperta. Um dia ela há de consumir todo o seu esforço por mais desesperado que ele seja, até que um dia, de repente, ela vai embora assim como veio.

Algumas semanas se passaram depois do primeiro ataque de saudade. Veio o segundo, o terceiro, o quinto... Ela vinha e voltava na mesma frequência que o beija-flor que as vezes visitava sua sacada. A frequência foi diminuindo progressivamente, mas quando a saudade apertava, apertava muito mais forte que antes. Eram espasmos que o faziam ter vontade de dar voltas pelo quarteirão até morrer de cansaço e repensar toda a rotina do mês. Mas afinal, a rotina do mês que entra não é a mesma do mês que foi?

Já não anotava tantas coisas como antes. Já não pensava em tantas coisas como antes. Ele passara a ser a esperança de ser diferente de tudo que fora um dia. Não queria mais ser ele mesmo porque isso implicava em ser exagerado e sincero, em ser impulsivo e discreto, quase transparente, em ser a sequência do que era ontem e ontem já passou... Hoje ele deveria ser diferente, pensar diferente, andar diferente, gostar diferente, sonhar diferente, querer diferente, porque afinal as pessoas devem ser volúveis (ou não?). Ele pelo menos nunca conheceu alguém que não fosse assim. Teria sido o acaso que o consola ou teria sido o destino que o mantém?

17 de jun de 2008

Tão poucas

Pouco de muito mais

Foram tão poucas palavras
Atrevidas, mal faladas, tão perdidas,

Tão pesadas que já nem me canso mais

Foram tão poucas cartas
Mal escritas, insensatas, tão sentidas,

Tão caladas que já nem
escondo mais

Foram tão poucas noites
Mal dormidas, tão passadas, bem vividas,
Tão sanadas que já nem me encanto mais


Eu que quis ouvir respostas,
Busquei no aval minhas partidas,
Aceitei apostas, fiz investidas,

Que nostalgia é alcançar a si
Que agonia é se ver sem ir

Que pretensão é mudar sem estar,
É querer ficar, é mudar sem vir...

Foram tão poucas frases,
Nem tão ditas, tão usadas, escondidas,
Tão
forçadas que já nem me sinto mais

Foram tão poucas fotos,
Mal batidas, desfocadas, tão tremidas,
Tão armadas que nem me lembro mais.

3 de jun de 2008

Meu eu de ontem...

Mãos

Agora há pouco, no teatro com você,
Eu descobri que gosto de mãos

Gosto de tê-las, de apalpá-las,

De senti-las e almejá-las

Gosto do conforto que me traz

Os seus dedos entre meus dedos,

Suas unhas, seus apegos...
Agora há pouco entendi tudo
E ao mesmo tempo, entendi nada

Passei a gostar ainda mais de Clarice
E entender melhor o que me disse
Passei a esquecer o que não conhecia
Descobrir o que já sabia
E agora que sei, confesso que tanto faz
Porque meu eu de hoje
Não é mais o meu eu de ontem
E confesso que agora tanto faz

Porque o meu eu de ontem
Talvez seja o meu eu de nunca mais.

28 de mai de 2008

Vocalizes...

Laiá Laiá

Dandabdabdaranran dabdarará
Dandabdabdub dada durarará
Dan dandan darara dubdara riiiiiiii
Dubdadan darara rarara rarariiiiiii

Djubirubirubiruba laiá laiá laiáááá
Djubirubirubiruba laiá laiá laíííííííí
Laiá Laiá Laiá Djbubirubirará lááá
Nanan laía nananananan larííííí

Nananan laialá laiá laiá naninaná
Djabirubiruba nananan laiá láááá
Dananan nananan nananaá laiáá
Dubdadan darara rarara rarariiiiiii



Eu prefiro cantar um
Monte de sílabas nada a ver
Do que escrever qualquer clichê
Do que falar, mais uma vez,
Sobre você... sobre você.

19 de mai de 2008

Subir até o fim...

26 degraus

Sobe até o fim

Faltam só 26 degraus

Até posso ver o sol daqui
Mais um pouco e poderei tocá-lo

Mais alguns minutos e eu estarei bem
Só dois tempos e respirarei aliviado. Ou não?

15 de mai de 2008

Preto e branco...

Traços

Meus traços são assim
Sem jeito, sem foco
Sem ângulo, sem detalhe

Meu amor é assim

Em tons de rosa e vermelho

Você é assim, entre estrelas

E eu sou assim, sem cor.

14 de mai de 2008

Dias a mais...

Relógio

Tempo
Vento
Sento
Lamento
Levanto
Sigo em frente.

8 de mai de 2008

Muito mais...

Tempos de herói

Meu segredo mais guardado
É maior que teu pior pecado
E meu desejo forte e lento
Te fez perder qualquer tormento
E o medo de ter medo me fez
Chorar um pouco mais
Que os tempos de infância
Quando eu brincava de herói
E pensava que era tudo paz
Mesmo sabendo que o mundo
Era muito mais.

4 de mai de 2008

Flashs

Espetáculo de absurdos

Foi somente uma piada sem graça
Pra animar um espetáculo de absurdos
Os artistas se esconderam atrás do vermelho
O público foi embora sem aplaudir
E todos os flashs foram em vão.

19 de abr de 2008

Calos que ganhei...

Não me condene

Te coloquei no meu sonho que

Eu ainda pago a prestação e

Te fiz entender que a vida é passo-a-passo,
É um belo espaço pra indecisão
Mas eu não vou me perder, me retrair
Tudo isso eu já vivi e revivi

São calos que ganhei e ninguém viu
Palavras que ouvi e ninguém sentiu
Entre a calma e a culpa, a razão
Entre a glória e a merda, distração

Entre o caso e o acaso, o descaso
Foi sempre a mesma desculpa que eu caí

Me lembre de esquecer que já partiu
Me lembre de esquecer que me esqueceu
Até já me vejo com outros olhos
Até já negocio a minha paz
Olhar adiante, hoje, ontem, nunca mais
E não me condene por não querer ficar aqui

Não me condene por querer ficar aqui.

5 de abr de 2008

Apenas uma tentativa

Melhor que fingir

Acordar pensando em você
Já se tornou incondicional
Reescrever minhas frases mal feitas
Descrevendo um romance ideal

Entenda que é apenas uma tentativa
De ilustrar o que não posso ter
Melhor que fingir ter acreditado
Que um dia ia ser o que eu quero ser

Por favor, não me trate assim
Como se eu fosse importante
Ou posso acabar acreditando
Que realmente sou

E não me conforte! Me evite!
Aja como se eu não sonhasse mais
Melhor que fingir que não te quero
Melhor que fingir que ainda me quer.

25 de mar de 2008

Assim como você

Assim como eu

Diz que eu sou especial
E diz mais uma vez pra eu
Ter certeza que ouvi certo
Diz que sonhou comigo noite passada
Diz que quer estar comigo essa noite
Acorda e pensa em mim amanhã
E jura... jura que falou só a verdade
Jura que é tudo assim expontâneo
Jura que te faço bem
Assim como você me faz.

Se isso te faz bem...

Amém

Venha! Venha ver sorrir
Aquele que te fez chorar
E sofre de novo
E chora mais uma vez
Se isso te faz bem, amém!

7 de mar de 2008

Pode ser, quem dera...

Vem me ser

Sobe aqui, que chove lá fora
Vem degrau por degrau que é
Pr'eu me embelezar pros
Seus olhos cegos de mim e
Me espera no mesmo lugar
Aquele nosso que guarda o
Seu cheiro, seu toque,
Seu senso e seu caminhar
Aquele nosso que guarda o
Seu cheiro, seu toque,
Seu senso e seu caminhar

Mas vai correr atrás do tempo e vê
Que o sonho que eu tive se encerra
A verdade desperta e eu cansei de acordar
Que o sonho que eu tive me encerra
A verdade desperta e eu não pude evitar

Pode ser, quem dera, vem me ser
Me encantei, já era, eu e você
Me entreguei, já era, eu e você.

1 de mar de 2008

Belas sensações

Amanhã, sorrir

Ontem eu pedi pra sorrir de novo
Não sorrir como quem ri das coisas
Sorrir por sorrir, a toa, sem razão,
Sorrir por estar feliz, de coração

Alguém me fez esse favor
Palavras vão, palavras vem...
Em um minuto tudo está tão bem

Belas sensações a cada teclar de letras
E hoje o que sou me revela o espelho
Veja as estrelas... morrem e continuam vivas
Nesse doce mesclar de saudade e solidão

Seja bem vinda ao meu mundo
Seja bem vinda a meu presente
Me deixa fazer parte do seu futuro?

25 de fev de 2008

Muito mais

Segredo

Meu segredo mais guardado
É maior que teu pior pecado
E meu desejo forte e lento
Te fez perder qualquer tormento
E o medo de ter medo me fez
Chorar um pouco mais
Que os tempos de infância
Quando eu brincava de herói
E pensava que era tudo paz
Mesmo sabendo que o mundo
Era muito mais.

21 de fev de 2008

Papel qualquer...

Ao acaso

Vem mais uma vez
Diz pra mim o que restou
Dos meus versos feitos ao acaso

Eu sei que merece muito mais
Que um papel qualquer
Cheio de frases desconexas

Mas eu sou comum demais
Pra fazer muito melhor que isso
Me aceita assim?

18 de fev de 2008

Mulher...

Bem mais feliz

Passa aqui em casa esse fim-de-tarde
Me chama pra tomar um sorvete
Vamos ver uma comédia no cinema
E depois me faz rir mais que no filme
Me leva pra pr´algum lugar bonito
Pra fazer amor a noite inteira
E quando gozar deita comigo
Mais um pouco e me abraça forte
Diz coisas suaves ao pé-do-ouvido
Tudo que uma mulher gosta de ouvir
E fala de novo pra eu ter certeza
Amanhã irei acordar bem mais feliz.

15 de fev de 2008

I don´t speak english!

Deformed world

Yesterday I could see an angel
She screamed my name and cried
And I couldn´t understand

She came to show me the true road
In the middle of so many dotted lines
And I couldn´t understand

I chose to go on the clearest side
´Cause I thought to be the easiest way
To arrive somewhere

I got lost in the false end
And I arrived in a place with parallel lines
Where I saw a little angel crying
Lamenting this deformed world
Yesterday I could see an angel
She told me several sad truths
And I didn't know what to say

She came to show me the true road
In the middle of all these blue points
And I stay lost here

I got lost in the false end
And I arrived in a place with parallel lines
Where I saw a little angel crying
Lamenting this deformed world

Yesterday I could see an angel
She screamed my name and cried
And I couldn´t understand.

6 de fev de 2008

Oceano

Bem que eu quis

Bem que eu quis que o carnaval acabasse
Que a chuva esquecesse a minha casa
Que o inverno, enfim, repousasse
O céu azulasse, a noite caísse

Bem que eu quis ver a verdade nua
Meu prato cheio, a mãe tranquila
Salada, chá gelado, carne crua
Sala arrumada, quarto limpo

Bem que eu quis ter pra mim todo o dinheiro
Andar de carro zero, posar de intelectual
Ver até meu maior segredo vir a tona
E não tomar fama de cara-de-pau

Bem que eu quero calejar o meu princípio
Acreditar que não chegou até o fim
Pensar, fingir e esquecer que
Um oceano a separa de mim.

1 de fev de 2008

O cheiro das coisas

O cheiro

Cheiro de chuva, cheiro de vento,
Cheiro de neve que nunca senti,
Cheiro de nada, cheiro de tempo,
Cheiro de comida quente ao meio-dia,
Cheiro de sobremesa, lanche da tarde,
Cheiro de abraço, de nolstalgia,
Cheiro de insenso, de noite clara,
Cheiro do seu
perfume, seu lençol,
Seu chuveiro, seu brinquedo, seu sexo,
Cheiro do seu sorriso, cheiro de sol,
Meu sorriso, seu baton,
Cheiro dos meus ombros, seus cabelos,
Meus olhos, suas pernas,
Meu braços, seus joelhos,
Seus olhos, meus cabelos,
Tudo é tão meu, é tão seu,
É tão sim, é tão não,
É tão mais, é tão são
É cheiro de estrada a fora
É cheiro de ir embora
É cheiro de ficar aqui.

21 de jan de 2008

Uma 'quase-poesia' de deboche

Deslanchou!

Olha lá
Que já foi
Que já é
Ou já vai
Vai que tem
O que se vê
Não é mais
Já passou
Já partiu
Me envolveu
Deslanchou
Correu pra lá
Pra lá bem longe
Não vejo mais
Nem sinto mais
É sempre assim
Já cansei
Já chorei
Já parti
Nem choro mais
Só quero paz
Só quero paz.

11 de jan de 2008

É!

O que vem

O que me aperta é esse medo do que vem,
Minha sina, olhar adiante o que convém
Com mil caminhos a seguir distante
Sentir o oposto e o mesmo mais insinuante
É só mais um evento do acaso que me persegue
Só mais um momento do descaso que me impede
É curva sinuosa, barco sem vela, balão sem cor,
É verdade paralela, afasia, avião sem motor
E meu destino corre solto, se afasta, inicia
Vai de frente, vai sem rumo, dia-a-dia, noite e dia
Agonia, fantasia, sou mera nolstagia e confusão
Sou puro silêncio, ansiedade, falta de concentração
Sou demagogia, multidão, sou a polícia e o ladrão.

8 de jan de 2008

Sorrisos de canto de boca...

Poeta feliz

Poeta feliz não existe
Poeta, por natureza, é triste
É brisa de inverno, chuva de verão,
É meia três quartos, o espinho e o botão

Poeta é segredo, é junho, é abril
Poeta com medo nem andou nem fingiu
É quase arte moderna, cubismo, distração
Verdade ao pé do ouvido, meio guerra, meio perdão

Poeta feliz não existe
Só escreve quando está triste
Exceto em noite de chuva, exceto em dia de sol
Meia hora quase perdida, meio frio, debaixo do lençol.