30 de ago de 2008

Sem título

[sem imagem]

Vamos! Apenas me diga quem é você. Sem instintivamente dizer seu nome, idade, profissão. Ou mesmo sem dizer qualquer característica que te insira numa das gavetas hierarquicamente organizadas numa das estantes de madeira da dispensa.


Mas diga a verdade! Sem medo. Sem receio. Tente! Por quê não experimentar o novo? Você continua andando rápido pelas calçadas. Vira o rosto a quem se insinua ou olha para você com um sorriso. Contenta-se em ver o céu por trás dos edifícios. Reprime lucidez e foge de uma possível sensação de frio na barriga.

Você continua deduzindo os outros através de seus trajes.Você continua sendo honesto com todos, menos com si mesmo. Alimenta seus sonhos com papéis coloridos e bem impressos de revistas de direita. Economiza dinheiro para presentear a si mesmo nos fins de ano. Joga sempre lixo no lixo, na tentativa de limpar sua consciência.

É de gente assim que o mundo globalizado precisa. Gente que aprendeu a viver aceitando seu lugar. Gente que paga o que recebe e sempre deve o que vai receber. Gente cuja maior qualidade é fazer o que mais abomina, com quem mais odeia, a qualquer hora, sorrindo. Mas ordens são ordens, não é?

Permaneça assim, já que não te incomoda. Continue como a mulher que escrevia cartas de amor a si mesma. Amontôo de palavras em círculos para se sentir um pouco melhor. Vamos, continue! Mas saiba que nada me faz mais infeliz do que aceitar isso. Continue caminhando. Continue fingindo sua felicidade. No fim, você é menos pior do que eu, que sabe onde estão os erros e continua errando.

*Lembro que escrevi esse texto em um surto de indignação no meu primeiro período de faculdade, depois de uma aula de Teoria da Comunicação. Achei ele mofando por aqui! Acho que agora ele faz mais sentido do que nunca.

29 de ago de 2008

O leão

O mundo se cansou dos ídolos,
Se cansou dos astros e dos gênios
Não há mais lugar para deuses
Não há lugar para os famintos,
Os loucos e humilhados
Esconda o seu desespero
Engula o choro e cuspa fora
Ensgasque com seu medo e
Finja que foi comida mal digerida
Chute as pedras, pule os buracos,
Aproveite um segundo mais feliz
O leão que sempre cavalguei
Ficou prá trás, se perdeu
O leão que sempre me defendeu
Ficou pra trás, se perdeu.

7 de ago de 2008

A assimétrica

Consumista

Hoje eu quero bocagear a minha sorte,
Fugir do Arcadismo, buscar meu norte
Continuo a ignorar os academismos
Até porque não sei escrever sonetos
Eu não ligo pra métrica
Eu não conto as sílabas
Eu gosto é do estalo
Eu gosto é da desconstrução
Da língua em noite de mesa farta
Sou bem mais literal que poeta,
Bem mais consumista que artista
Quando quero, quero agora
Toda hora, toda vida
Eu quero um barco, um avião
Pra viajar por um ano inteiro sem vazão
Eu quero um manto, um disco clássico
Quero um livro ilustrado, um poema rimado
Uma música animada pra dançar sozinho
Quero depósitos em minha conta bancária
Pra sair a noite e tomar whisky
Quero reticências, acento circunflexo,
Vírgulas, mas não quero o ponto final.
Ei, eu já disse: eu não quero o ponto final,

6 de ago de 2008

Aos 16... (Parte 2)

Celebrando o amor perdido

Todas as canções de amor que escrevi,
Foram pensando em teu ardoroso olhar,
No poder de aconchego dos seus braços,
No êxtase indissolúvel de seus beijos

Não me faltam lembranças nítidas
Das suas doces palavras ao vento
Seu sorriso indiscreto e tocante
Seu jeito transparente e indistinto

Restou o gosto amargo do fim
Ficaram suas cartas e as fotos
E eu, alheio as suas intenções,
Para celebrar e colorir meu coração vazio.

*Mais um poeminha da época de adolescência. Se eu tivesse escrito esse texto nos tempos atuais, muitos diriam que ele ficou "emo", mas naquela época nem existia esse movimento ainda. Bons tempos! ;D

5 de ago de 2008

Aos 16...

2 lados

Veja se tem graça se matar de amor
E ainda acordar vivo no outro dia
Lembrar da morte e morrer de novo
Um círculo vicioso
Viciado em você

Eu queria ter uma bomba
Para me livrar do prático efeito das tuas frases
Quintas intenções em quatro simples palavras,
Três sensações em atitudes sensatas,
Dois caminhos... Apenas um é o certo

Cada vez te sinto mais distante
Você se esquece dos bons momentos
Mesmo quando estou perante
Teus olhos... Ja dói tanto que nem tento
Mais lutar por você... Apenas lamento
E sigo a vida como ser, errante e incerto
Se devo ainda tentar viver.

*Achei esse e outros poemas antiiiiigos aqui no meio da minha bagunça. Esse aqui, eu tinha 16 anos quando escrevi. Fazia 2º Ano do Ensino Médio. Não sei de onde surgiu a inspiração pra ele, até porque eu realmente não estava morrendo de amores por ninguém. É uma prova de que nem sempre as coisas que eu escrevo são necessariamente auto-biográficas ou refletem situações que eu estou vivendo. Sendo bem sincero, menos da metade são assim. E é engraçado como é notório o tom adolescente em crise existencial/experimentalista/pseudo-intelectual nas coisas que eu escrevia. Chega a ser engraçado! Achei bacana reler coisas do meu passado e fiquei contente porque sinto que evoluí um pouquinho daqueles tempos pra cá. :)