3 de dez de 2013

Intimidade

Eu detesto quando gente que eu não tenho intimidade age como se fôssemos íntimos. Detesto quando me chamam de amor se me conheceram no dia anterior. Soa falso até na hora do sexo. Também não gosto de sair abraçando quem eu mal conheço. Eu até que não me importo de conversar com estranhos eventualmente, mas não todo dia e nem em todo lugar. Tem dias que eu quero somente ficar só. E se vou para algum lugar que não estou gostando de estar, eu não consigo ser político e fingir que quero estar ali. Prefiro pegar minhas coisas e ir pra casa. Sempre há algum filme bom que eu ainda não vi. Sempre tem alguém online que eu goste de falar. Eu sei que pode soar como antipático, mas não é isso. Eu só não sou do tipo que ama todo mundo e gosta de estar com qualquer um pra não ficar sozinho. Tem certas coisas que eu, inclusive, prefiro fazer sozinho. Não. Eu realmente não faço questão de todo mundo, mas faço muita questão das pessoas que faço questão. Caso contrário, prefiro até evitar um segundo encontro.

1 de dez de 2013

Ruivos

Hoje, de novo, pensei nos seus ruivos e
Desejei encontrar alguns fios no travesseiro
Depois no carro, na comida, no banheiro
Quis entrar nas suas fotos publicadas
Todas tão distintas, tão elogiadas,
Só para fitar de perto suas curvas,
Suas lutas, suas rotas e te roubar
Daquele que hoje anda ao seu lado
Queria eu te levar pro mundo,
Caminhar contigo pelas calçadas,
Pelas avenidas, pelas madrugadas
Te mostrar o Empire, o MoMA, o Guggenhein,
Já que me falta o juízo, eu podia ter, ao menos, a sorte
De descer seu corpo do Upper a Dowtown
Cruzar a ponte e voltar de novo
Até você ficar realizada, até se cansar
Te fazer musa, like a Hollywood superstar
Lembra que me prometeu fazer aquele filme junky
E também sair comigo, assim que eu voltar
Não mordo, não te ataco, eu hei de aguentar
Ah, ruiva, mais bela que a vista do Top of the Rock
Vou pôr seu nome nas marquees da Broadway
E depois, debaixo do meu lençol, do meu teto
Enfim, não custa sonhar, anyway, eu sei.

2 de set de 2013

Quase sem

Eu acho que posso me acostumar
a viver sem quase tudo nessa vida

Sem dinheiro
Sem carro
Sem escova de dente
Sem chuveiro de água quente
Sem roupa passada
Sem tênis limpo
Sem a cama arrumada
Sem uma refeição decente
Sem elevador
Sem pente
Sem cordas
Sem Facebook
Sem postar foto no Instagram
Sem bateria no celular
Sem "x" e "R1"
Sem açúcar
Sem sal
Sem o futebol de Quarta
Sem sábado e domingo
Sem graça
Até sem moça

Mas não sem alma
Essa que eu deixei ali
Na bituca que joguei no chão
Apagada, desprezada

26 de mai de 2013

Calçadas

Já maltratei calçada, quase nada
Vi gente disposta, muita gente cansada
Mas fiquei até o último brilho da madrugada
É que o tempo mata, mas antes destrata
Esse maldito fugaz de longos anseios
Alguns tão pobres, alguns devaneios
Uns mais impossíveis que outros
Outros mais calados que uns
O que a gente não leva, arrasta
Por isso há de se sentir bem sentido
Até o que se sente não sentir mais.

Do ponto final pra frente
Outros frames, outras histórias
Nem tudo festa, nem tudo glória
Memórias? Nem tão cegas,
Nem tão claras quanto esperava
Umas bem quistas, outras massacradas
Umas tão tortas quanto supervalorizadas
Todas necessárias, vadias desesperadas.