18 de jan de 2010

40 anos

60 e poucos

Do alto dos meus 60 e poucos,

Vivi coisas pelas quais omitiria
Eu vi milagres, ouvi espíritos,
Presenciei assaltos e atropelamentos
Bati o carro quando passei no sinal verde
Saí ileso quando atravessei no vermelho
Morei em metrópole, morei no interior
Só vi o mar depois dos 20
Dei esmola, pedi aumento
Pedi demissão, fui demitido
Montei empresa, fechei empresa
Fiquei rico e torrei tudo em viagens
Urinei no Ganges e no Nilo
Fiquei entediado em Paris, Londres e Milão
Comi cogumelo em Amsterdam
Quebrei o braço esquiando em Bariloche
Desenhei mulher nua sem musa
Escrevi poema de amor sem amar
Escrevi poema de amor e entendi,
Depois que decidi te encontrar
Minha poesia ganhou rima
Ganhou ritmo, ganhou cor
Foram tantas brigas, tantas baixas,
Nada fez oscilar o teu sabor
Nada me fez guardar maior rancor

Você ainda carrega aquele sorriso de menina
Os olhos brilhantes e o corpo de miss
Pra acompanhar toda essa energia, só cafeína,
Ácido, pílula azul, anfetamina,
40 anos desejando a mesma boceta,
Mesma boca, mesma silhueta,
E que se dane o pudor que ainda me resta
Nesses anos que faltam, quero festa,
Quero mimos, quero festa,
Quero bisnetos pelo quintal,
Lençóis limpos no varal

Só pra eu ajudar a sujar e me lembrar
Dos tempos de infância,
seus tempos de
menstruação
Fazer música com aquele velho violão
Fazer arte, viver, ficar na memória,
Fazer parte, ser, fazer história.

5 comentários:

Lih disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Lih disse...

Sabe... me orgulho muito de você e me orgulho mais ainda de poder ser a musa de coisas tão bem escritas, tão expressivas e tão fantásticas quanto essas.

Uma vida inteira de cores, de sabores, de poesia, e sem pudores, tudo isso só pra nós dois.

Mais uma vez obrigada. :,)

Victor Meira disse...

Bom demais da conta.

Danny Vodka disse...

vc escreve mto bem!

Rafaelle Costa disse...

escrita interessante