Contei todos os ladrilhos, todos os mendigos,
Todas as claves da Avenida São João
Ouvi todas as buzinas, cruzei as esquinas
Olhei móveis usados, cofres enferrujados,
Comi um lanche duvidoso, reclamei do sol
Lá do alto do viaduto, helicópteros
Contemplando o trânsito lento, enquanto
Aqui em baixo, vários corações acelerados
Os trinta e três que estavam encostados
Continuaram deitados depois do tiro
Foi só um estalo, só um grito que se ouviu
Ninguém parou, ninguém sentiu
Segue a rotina, Avenida São João
Deixei alguns trocados no chão.
10 de mar. de 2010
3 de mar. de 2010
Desatenção
Receio do remorso
Ah... Essas cerdas estão dilacerando
As válvulas de escape, as bobinas
As marcas, as intenções bem vindas
Livre da cegueira das verdades cretinas
Livre dos maldizeres, dos guerreiros cansados
Lamúrias de amor por não querer outras meninas,
Intenso olhar de quem não sabe mais
Inventar poema, buscar quase paz
Imediatamente, o sono bate a sua porta
Naquela vez, era medo da derrota
Neve na porta, o frio não importa
Nessa sina, resta pele, osso e carne viva
E toda essa carícia que me cativa
Esqueça todas as mágoas, toda essa mira
Esvazie os potes, retire o que resta de ira
Perdoa os desavisados, os lerdos, os afastados
Perdoa os diferentes, os fracos, os desviados
Pensa na mudança, na esperança, na semelhança
Pensa na luta passada, na foto guardada
Pensa na mão que não larga a outra mão consolada
Pisa nos cacos, ressuscita a doçura de menina.
Refém
Perdeu o emprego, perdeu a voz
Perdeu o milagre do dia ensolarado
Perdeu alguns trocados a capa vermelha
A armadura de ferro o dedo de agulha
Perdeu a vontade de ter coragem
Derramou a gasolina de seguir em frente
Refém do tempo, refém do vento...
Perdeu o milagre do dia ensolarado
Perdeu alguns trocados a capa vermelha
A armadura de ferro o dedo de agulha
Perdeu a vontade de ter coragem
Derramou a gasolina de seguir em frente
Refém do tempo, refém do vento...
19 de fev. de 2010
Como os meus
Tanto faz
E foi assim
Que a vida ofereceu a ti tantos troféus
De prêmios tão pequenos,
Bem pequenos,
Mais que eu
Sei que te quero forte,
Sei que te quero fraca,
Eu quero teu afago,
Eu quero o teu tapa
Eu busco o teu beijo,
Respeito o teu choro
De tão infantil e tolo,
Receitei o meu remédio
Matei tua anemia,
Dei bom dia,
Tirei teu sono
Eu aceito você larga,
Espero você curta,
Eu espero teu endosso,
Aceito você turva,
Entendo a tua culpa,
Peguei tua dor no colo,
Roubei tua mediunidade,
Uni com boa vontade,
Aprendi uma oração pra
Dar vazão ao que eu sentia
Sei que eu te quero nobre,
Sei que eu te quero pobre,
Não esqueço os teus seios,
Suas curvas,
Seus apelos,
Sei que eu te quero linda,
Sei que eu te quero feia,
Eu quero você jovem,
Meia idade,
Idade inteira
Invado o teu sexo,
Te apresento nossos filhos
Roubo teu travesseiro,
Empresto o meu colo,
Ombro e pernas torturadas
Por toda essa ladeira,
Essa cadeira, essa escada
Sei que eu te quero inteira,
Aceito os teus pedaços
Sei que eu te quero viva
Não suporto você longe
Prefiro minha alergia
Que a saudade de outro dia
E foi assim
Que a vida ofereceu a ti tantos troféus
De prêmios tão pequenos,
Bem pequenos,
Como os meus.
E foi assim
Que a vida ofereceu a ti tantos troféus
De prêmios tão pequenos,
Bem pequenos,
Mais que eu
Sei que te quero forte,
Sei que te quero fraca,
Eu quero teu afago,
Eu quero o teu tapa
Eu busco o teu beijo,
Respeito o teu choro
De tão infantil e tolo,
Receitei o meu remédio
Matei tua anemia,
Dei bom dia,
Tirei teu sono
Eu aceito você larga,
Espero você curta,
Eu espero teu endosso,
Aceito você turva,
Entendo a tua culpa,
Peguei tua dor no colo,
Roubei tua mediunidade,
Uni com boa vontade,
Aprendi uma oração pra
Dar vazão ao que eu sentia
Sei que eu te quero nobre,
Sei que eu te quero pobre,
Não esqueço os teus seios,
Suas curvas,
Seus apelos,
Sei que eu te quero linda,
Sei que eu te quero feia,
Eu quero você jovem,
Meia idade,
Idade inteira
Invado o teu sexo,
Te apresento nossos filhos
Roubo teu travesseiro,
Empresto o meu colo,
Ombro e pernas torturadas
Por toda essa ladeira,
Essa cadeira, essa escada
Sei que eu te quero inteira,
Aceito os teus pedaços
Sei que eu te quero viva
Não suporto você longe
Prefiro minha alergia
Que a saudade de outro dia
E foi assim
Que a vida ofereceu a ti tantos troféus
De prêmios tão pequenos,
Bem pequenos,
Como os meus.
9 de fev. de 2010
5 de fev. de 2010
4 de fev. de 2010
29 de jan. de 2010
18 de jan. de 2010
40 anos
60 e poucos
Do alto dos meus 60 e poucos,
Vivi coisas pelas quais omitiria
Eu vi milagres, ouvi espíritos,
Presenciei assaltos e atropelamentos
Bati o carro quando passei no sinal verde
Saí ileso quando atravessei no vermelho
Morei em metrópole, morei no interior
Só vi o mar depois dos 20
Dei esmola, pedi aumento
Pedi demissão, fui demitido
Montei empresa, fechei empresa
Fiquei rico e torrei tudo em viagens
Urinei no Ganges e no Nilo
Fiquei entediado em Paris, Londres e Milão
Comi cogumelo em Amsterdam
Quebrei o braço esquiando em Bariloche
Desenhei mulher nua sem musa
Escrevi poema de amor sem amar
Escrevi poema de amor e entendi,
Depois que decidi te encontrar
Minha poesia ganhou rima
Ganhou ritmo, ganhou cor
Foram tantas brigas, tantas baixas,
Nada fez oscilar o teu sabor
Nada me fez guardar maior rancor
Você ainda carrega aquele sorriso de menina
Os olhos brilhantes e o corpo de miss
Pra acompanhar toda essa energia, só cafeína,
Ácido, pílula azul, anfetamina,
40 anos desejando a mesma boceta,
Mesma boca, mesma silhueta,
E que se dane o pudor que ainda me resta
Nesses anos que faltam, quero festa,
Quero mimos, quero festa,
Quero bisnetos pelo quintal,
Lençóis limpos no varal
Só pra eu ajudar a sujar e me lembrar
Dos tempos de infância,
seus tempos de menstruação
Fazer música com aquele velho violão
Fazer arte, viver, ficar na memória,
Fazer parte, ser, fazer história.
Do alto dos meus 60 e poucos,
Vivi coisas pelas quais omitiria
Eu vi milagres, ouvi espíritos,
Presenciei assaltos e atropelamentos
Bati o carro quando passei no sinal verde
Saí ileso quando atravessei no vermelho
Morei em metrópole, morei no interior
Só vi o mar depois dos 20
Dei esmola, pedi aumento
Pedi demissão, fui demitido
Montei empresa, fechei empresa
Fiquei rico e torrei tudo em viagens
Urinei no Ganges e no Nilo
Fiquei entediado em Paris, Londres e Milão
Comi cogumelo em Amsterdam
Quebrei o braço esquiando em Bariloche
Desenhei mulher nua sem musa
Escrevi poema de amor sem amar
Escrevi poema de amor e entendi,
Depois que decidi te encontrar
Minha poesia ganhou rima
Ganhou ritmo, ganhou cor
Foram tantas brigas, tantas baixas,
Nada fez oscilar o teu sabor
Nada me fez guardar maior rancor
Você ainda carrega aquele sorriso de menina
Os olhos brilhantes e o corpo de miss
Pra acompanhar toda essa energia, só cafeína,
Ácido, pílula azul, anfetamina,
40 anos desejando a mesma boceta,
Mesma boca, mesma silhueta,
E que se dane o pudor que ainda me resta
Nesses anos que faltam, quero festa,
Quero mimos, quero festa,
Quero bisnetos pelo quintal,
Lençóis limpos no varal
Só pra eu ajudar a sujar e me lembrar
Dos tempos de infância,
seus tempos de menstruação
Fazer música com aquele velho violão
Fazer arte, viver, ficar na memória,
Fazer parte, ser, fazer história.
7 de jan. de 2010
Tentou chegar
Subiu a serra
Subiu correndo aquela serra
Parou quando avistou o lindo mar
Cogitei subir logo em seguida,
Mas, talvez, alguém a espere lá
O sol ia descendo e ninguém vinha
O que fazia aquela menina sozinha?
Com certeza, outros já subiram
Provavelmente, todos já desceram
Outros querem subir agora,
Mas sinto que essa é a minha vez
Vou tentar, o que tenho a perder?
A subida é íngreme, o piso escorregadio,
A caminhada pode levar dias...
Será que consigo chegar até lá?
Será que ela ainda vai estar?
E se outro chegar primeiro?
Devem ser tantos pelo caminho...
Tentei, caminhei até cansar e
Procurei não contar as escorregadas,
Nem quantas vezes fiquei com fome,
Tomei chuva e pensei em voltar
Cheguei no dia 17 de janeiro
Ontem, alguém chegou primeiro,
Mas quando cheguei, não estava lá
Ela sorriu e estranhou meu sotaque
Dizia que eu falava assim arrastado
Como na Bahia, como no cerrado
Não esqueci daquele dia
Ainda não perdi a minha vez
Será? Sei que outros sobem
Não sei se chegam, não se se caem
Nem se ela espera alguém chegar
Só sei que a vista é linda,
Valeu a pena tentar
Decidi, não desço mais.
Subiu correndo aquela serra
Parou quando avistou o lindo mar
Cogitei subir logo em seguida,
Mas, talvez, alguém a espere lá
O sol ia descendo e ninguém vinha
O que fazia aquela menina sozinha?
Com certeza, outros já subiram
Provavelmente, todos já desceram
Outros querem subir agora,
Mas sinto que essa é a minha vez
Vou tentar, o que tenho a perder?
A subida é íngreme, o piso escorregadio,
A caminhada pode levar dias...
Será que consigo chegar até lá?
Será que ela ainda vai estar?
E se outro chegar primeiro?
Devem ser tantos pelo caminho...
Tentei, caminhei até cansar e
Procurei não contar as escorregadas,
Nem quantas vezes fiquei com fome,
Tomei chuva e pensei em voltar
Cheguei no dia 17 de janeiro
Ontem, alguém chegou primeiro,
Mas quando cheguei, não estava lá
Ela sorriu e estranhou meu sotaque
Dizia que eu falava assim arrastado
Como na Bahia, como no cerrado
Não esqueci daquele dia
Ainda não perdi a minha vez
Será? Sei que outros sobem
Não sei se chegam, não se se caem
Nem se ela espera alguém chegar
Só sei que a vista é linda,
Valeu a pena tentar
Decidi, não desço mais.
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