4 de mai de 2009

Sexta


É triste começar um texto falando do final. É como revelar o final do filme no trailer ou casar o galã e a mocinha da novela no primeiro capítulo. É desconcertante e pode até tornar a obra pobre, mas desculpem esse fraco pseudo-poeta se arriscando a escrever sem versos. Não consigo fazer diferente agora. É segunda-feira e segunda-feira é dia de despedida. 

Ela embarcou hoje de manhã e levou consigo o sorriso sereno. Deixou comigo a saudade pré adquirida e o sono de uma noite mal dormida. Estes embarcaram comigo no metrô enquanto eu ainda procurava a mão que me conforta. Semi-acordado, estupefato, tateando o assento do trem, cheguei a tocar a mão de uma senhora ao meu lado. Com um semi-pulo, acordei sem graça quando percebi que era a mão errada. Mas era como se a mão dela ainda estivesse presente. Era tão recente a despedida que eu ainda não tinha me acostumado com sua ausência. Ainda não tinha digerido. A sensação de afasia é bem mais aparente no dia da partida e no dia que antecede a partida!

Foi-se o dia, entardeceu, anoiteceu... Amanhã é terça, quarta tem jogo decisivo do meu time e quinta é o dia que antecede o fim da falta. Que o relógio acelere. 

6 comentários:

Leonardo Curcino disse...

as vezes, é legal escrever vômitos emocionais!

Lih disse...

é, pelo visto meu namorado não escreve bem só em verso.

ficou lindo, ju.
saudade aqui também.

Aline de Campos Canto disse...

Definitivamente o seu merece!

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Jairo Souza disse...

Encontros só nos fins de semanas! Dolorido!

Karol Armstrong disse...

Imagino o rosto que a Sra. fez ao sentir uma mão tocando a dela, e detalhe, a mão de um desconhecido...rsrsr..

É engraçado com a ausências muitas vezes sufoca.
Mas pior é sentir o vazio, dentro de ti e no assento, sem ter quem preenche-lo, é querer uma mão pra segurar e não encontrar.


Texto estonteante como muitos outros seus que já li
^^

Gordu(Rosa). disse...

Rotina.