19 de abr. de 2009

Perdendo os sentidos

Quisera eu ser a única por quem suspiras
E a única a ouvir todas as noites teus gritos loucos, roucos

Quisera eu beijar-te os lábios ternos
E degustar-te todo o corpo, até que te quedes morto

Quisera eu tocar-te a pele cálida, atingir-te a alma
E então descobrir aquilo que ocultas, sem culpas

Quisera eu o teu cheiro em minhas vestes
E que só comigo partilhasses tal perfume, para que eu jamais perecesse de ciúme

Quisera eu fixar em ti meus olhos,
Contemplar-te a face serena e encabular-te sem pena.

*Quanto ao meu sexto sentido de mulher,
Revelo que este não menos te quer
Seja na tristeza ou na alegria,
Seja na poesia do dia-a-dia.


"Querido, a diversidade de tempos verbais teve o seu propósito. Foi a forma que encontrei de demonstrar que o que sinto por ti ocorre em qualquer tempo.

Te amo.

Beijos,
da tua Aline.

18/04/2009"

30 de mar. de 2009

Queria...

Me bastasse

Queria tanto um amor, súbito,
Devastador, sem sentido,
Que me arrebatasse,
Me desmaiasse,
Me amassasse o vestido

Queria que me encontrasse,
E me observasse à distância,
Como alguém da mais remota infância
Um alguém sorridente, de covinha indecente,
Que me dissesse nos lábios
O mesmo que meu peito
Que me batesse nas veias
O mesmo fervilhar sem jeito

Queria tanto amar
Sem culpa ou lugar, caminhar na calçada
- de mãos dadas -
Ser feliz na orla, na sorveteria,
No bar, na drogaria
Meu cachorro, sua poesia


Queria tanto saber que fiz alguém feliz,
Que esse alguém sente minha falta,
Que me procura nos desenhos das nuvens
Me bastasse uma vida contigo
Me bastasse um minuto de ti
Me bastasse...

Avesso


Simplesmente

E nada disso importa
É uma noite assim
Que me deixa do avesso
Amanhã meu patrão vai ligar
E você vai dizer a ele que
Não fui simplesmente porque
Não sabia onde ir.

16 de mar. de 2009

Já decidi.

Segunda-feira
Segunda-feira brada forte as suas dádivas
E as suas dúvidas não se calam ao amanhecer
É quase um vínculo, um faz-parte-do-seu-ser,

Mas minha dívida não termina no fim do mês
Nem mesmo a minha eloquência obtusa
Nem mesmo a minha rude transparência
Eu não vou desistir dos seus versos
Eu não vou esquecer seus gestos ás
Eu não vou aviltar sua bela face
Logo agora que encontrei a minha paz?
Logo agora que me perdi com teus sinais?
Bastou só um sorriso de canto de boca
E eu não tinha mais dúvidas,
Não tinha mais dívidas, só paz
Deitei ao seu lado uma vez
E eu não tinha mais dúvidas,
Não tinha mais dívidas, só paz
Já decidi pra onde quero que a ventura me leve.

17 de fev. de 2009

Sei?

Assim

Cheguei ate aqui assim

Sem saber se deveria chegar
Caminhei ate ali assim

Sem saber pra onde caminhar

Pulei, corri, chorei, sorri

Tudo sem saber do fim
Tudo sem lembrar do começo

Tudo sem saber do fim.

1 de fev. de 2009

2 em 1 só

Calmaria

Toda essa vontade
viciante

Que não espera
amanhecer

É tudo indício,
é quase um gesto,

Um jeito da
vida dizer

Que daqui pra frente vai ser eu e você
E todo esse caos rubro que anuncia -
Trânsito, ponte, Sé e Barra Funda -
Não é maior que meu desejo de calmaria
Noite e dia, noite e dia

Nada melhor do que acordar
E poder te dizer bom dia.

Era

Meu segredo mais guardado

É maior que teu pior pecado
E meu desejo forte e lento
Te fez perder qualquer tormento
E o medo de ter medo me fez
Chorar um pouco mais
Que os tempos de infancia
Quando eu brincava de herói
E pensava que era tudo paz
Mesmo sabendo que o mundo
Era muito mais.

11 de jan. de 2009

Horizonte

Azul

Eu não sou de usar
Palavra empolada pra me expressar
Prefiro fugir dos maneirismos mil
Do que tentar enfeitar o que não sei dizer
E eu que tinha medo de ser trivial
Agora só escrevo pra descalçar o mal
Aquele mal que outrora andara por aqui
Já nem vi, já correu, já partiu
Se for voltar, que seja amanhã ou depois,
Pois agora quero descansar
Quero uma volúpia casual, quero o mar
Um abraço de primo, comida de vó
Quero um "oi" e, talvez, o sexo
De uma donzela qualquer,
Pendões de vitória, ninfas de manhã,
Brisas fortuitas, maré cheia, fui embora
Sujei de humano o grande lago azul

Deixa soar a lira dos acasos
E o eco dos meus passos
Vai alcançar o horizonte azul
Deixa eu fitar o horizonte azul
Quero gozar o horizonte azul
E eu vou lá

Eu não sou de usar
Palavra empolada pra me expressar
Prefiro fugir dos maneirismos mil
Do que tentar enfeitar o que não sei dizer
Me cansei e já nem sei dizer
Por que há de ser o norte o sul?
Por que há de ser minha ânsia vã
Se acordei com minha voz sã?
O barulho escuro da chuva vai repousar

Deixa soar a lira dos acasos
E o eco dos meus passos
Vai alcançar o horizonte azul
Deixa eu fitar o horizonte azul
Quero gozar o horizonte azul
E eu vou lá

Quero me perder nesse azul
Quero me prender nesse azul
E eu vou lá.

3 de jan. de 2009

Coletivo

Para aqueles que por algum motivo acompanham este blog ou passam por aqui aleatoriamente, este é um post diferente. Dessa vez, posto para indicar um blog coletivo na qual tive o prazer de ser convidado a participar.

São 15 pessoas postando nos dias ímpares do mês sobre poesia, prosa, artes plásticas, ilustração, vídeo, eventos, discussões, música, animação, etc. Só pra constar, meu dia de postagem é dia 3 e hoje foi meu primeiro post.

Que venham outros e que venham os outros!

O link para aqueles que quiserem conhecer o projeto é:
http://manazinabre.blogspot.com/

Abraço a todos e feliz 2009.

28 de dez. de 2008

Será?


Exercícios

Eram 3 da manhã quando sentou-se ao meu lado
Não importa o que havia acontecido antes
A multidão dançava e bebia e eu espiava tudo dali
Sentei e fiquei só flertando com a cerveja
Já era a quinta ou sexta, sei lá, nem contei...
Vez ou outra, olhava meio de lado e esperava
Qualquer gesto que implicasse um sim ou talvez
Vai ser agora? Não! Não dessa vez! Só impressão!
Levantou-se, meu coração acelerou, e agora?
Vai encontrar alguém? Vai embora? Não ainda! Volta!
Tinha saído do meu campo de visão. Já era! Se foi!
Pensei em me levantar, procurar, mas não. Melhor não!
Acho que é hora de ir embora, a noite acaba aqui!



De repente, voltou segurando uma bebida qualquer
Sentou-se e meu coração, de novo, acelerou
Vi que me olhou por alguns segundos, mas nada
Nenhum sinal de empolgação, nada, absolutamente nada
Bebeu mais uns 2 goles daquela bebida verde com gelo,
Olhou pra mim novamente, semblante sereno, sorriu,
Sorriso meio sem graça, mas já era um sinal. Ou não?
Eu estava me sentindo linda naquele vestido azul
Laço no cabelo, maquiagem leve, bolsa combinando
Não é possível que ele não tenha me notado
Outros vieram flertar comigo, mas não! Não quis!
Um minuto de relutância, dois de afasia...

Ah... Ele nem era tão bonito assim!
Não era alto, nem forte, nem estiloso ele era!
Mexeu nos cabelos, coçou de leve a barba e o nariz,
Bebeu mais 2 goles, me olhou e ameaçou puxar assunto...
Como eu estava fingindo não ver, ele recuou
Vi que pensou em se levantar, mas desistiu
Ah... Ele me queria! Quase certeza que queria!
Tirou o celular do bolso e ameaçou ligar pra alguém
Começou a escrever uma mensagem, parou,
Guardou o celular no bolso, pegou de volta,
Voltou a escrever uma mensagem, me olhou,
Respirou fundo, se aproximou meio sem jeito:
"Perdão... Queria que visse algo." - me disse
Em seguida, veio me entregando o celular
"Essa mensagem eu vou mandar pra vc,
quando me der o seu telefone."

Sorri um sorriso de canto de boca
É... Era mesmo ele! Eu não estava enganada!

11 de dez. de 2008

Café diário

Açúcar

Eu sou agora um pouco mais

Que os restos não vividos de ontem
E amanhã serei um tanto mais

Do que as verdades que escondi,
As bromélias que eu vi,

E a cerveja que matei no bar


O placebo que tomei pra me curar

Só solfejou meu trabalho diário
Não valeu a pena o copo d'água
Não valeu o tempo da degustação

Ainda descubro a cura para todo mal
Ainda farei da sorte subterfúgio

Mas quer saber? Já passou!

Já me esquivei da quina
Já virei a página


Agora, ando meio erótico, meio bucólico,
Buscando a distração à noite toda
Esperando pelo bis de amanhã... E que venha!

Gondry que me perdoe, mas eu

Rebobinei minha mente sem lembranças
Sem direito a stop ou replay
Sem direito a regravação de cena
E as lembranças poucas que me restaram
É um quiprocó do óbvio
Que Deus me livre e guarde!


Eu quero partilhar meu vinho,
Minha foto estampada, um nome bobinho,
Eu quero um abraço no refrão
Eu quero o colo e um pouco mais
Uma xícara de açúcar, meia colher de chá.