
É triste começar um texto falando do final. É como revelar o final do filme no trailer ou casar o galã e a mocinha da novela no primeiro capítulo. É desconcertante e pode até tornar a obra pobre, mas desculpem esse fraco pseudo-poeta se arriscando a escrever sem versos. Não consigo fazer diferente agora. É segunda-feira e segunda-feira é dia de despedida.
Ela embarcou hoje de manhã e levou consigo o sorriso sereno. Deixou comigo a saudade pré adquirida e o sono de uma noite mal dormida. Estes embarcaram comigo no metrô enquanto eu ainda procurava a mão que me conforta. Semi-acordado, estupefato, tateando o assento do trem, cheguei a tocar a mão de uma senhora ao meu lado. Com um semi-pulo, acordei sem graça quando percebi que era a mão errada. Mas era como se a mão dela ainda estivesse presente. Era tão recente a despedida que eu ainda não tinha me acostumado com sua ausência. Ainda não tinha digerido. A sensação de afasia é bem mais aparente no dia da partida e no dia que antecede a partida!
Foi-se o dia, entardeceu, anoiteceu... Amanhã é terça, quarta tem jogo decisivo do meu time e quinta é o dia que antecede o fim da falta. Que o relógio acelere.






