21 de ago. de 2009

Gerundismo

Hoje acordei cheio de gerundismo. Vou estar dormindo mais 5 minutos depois de acordar pela terceira vez. Vou estar tomando um banho quente e demorado pra aquecer esse frio que até parece inverno. Vou estar assassinando o motoqueiro filhodaputa que tentou passar onde não cabia e arranhou meu carro. Vou estar ficando stressado com o trânsito louco dessa cidade maluca. Vou estar sentindo falta do sorriso da menina, das brincadeiras bobas de touro mecânico e de cheirar o feromônio por baixo dos braços nus. Vou estar ficando aliviado com o fim do job atrasado. Vou estar ficando feliz com o amigo ganhando aumento, o outro sendo contratado, o outro pegando trabalho extra e eu descansando. Vou estar ficando feliz com a ligação do pai. Vou estar comemorando o show de uma banda que queria tanto ver. Vou estar empolgando com a decoração do quarto, com a chegada do fim-de-semana, com a proximidade da estação. Vou estar ficando cansado de tanto gerundismo, de tanta repetição. Vou estar confessando que tudo isso foi só uma intenção de romper com meu hiato literário-criativo e jogar um pouco de palavras ao vento. Vou estar confessando que vomitar palavras me faz bem.

22 de jul. de 2009

Corro

Corro pra encontrar a sorte Corro da sombra Corro da luz Corro de quem me persegue Quando canso caminho Nunca paro Nunca paro Corri de chuva Corri de sol Corri de calor Corri de frio Corri da mãe professora primo tia vó Corri de bandido De amigo brincando de pega pega Corri de física química biologia Corri pra pegar pipa Corri jogando bola Corri atrás de estrela de disco voador de galinha d' angola Corri pra pegar ônibus Corri pra chegar cedo Corri pra perder peso Corri do que desconhecia Corri de quem nem me via Corri por correr Tropecei caí levantei Corri tropecei caí feio machuquei mais feio ainda levantei Corri por medo por raiva por pressa por vergonha Corri da morte Corri da afronta Corri da falta de perspectiva Corri da incerteza Corri da certeza de não ter certeza Corri da mediocridade Corri pra ver o mar Corri sozinho Corri de quem correu sozinho a vida inteira Corri de sei lá o que de sei lá onde Sei lá Cansei Caminhei pensando em voltar a correr Corri do ódio Corri do amor Tropecei não caí continuei correndo Corri pra te encontrar Encontrei É minha última chance Corro Nunca paro Nunca paro

23 de jun. de 2009

Assédio e egoísmo

Talvez

Talvez você nem saiba
Que quando você passa
A rua inteirinha se faz acordar
A rua inteirinha te anuncia

Talvez você se esqueça
Que caso eu mereça
A vila inteirinha vai conspirar
A vila inteirinha te assedia

Talvez você me entenda
Quando eu criar a cena
Que a cidade inteirinha vai elogiar
Que a cidade inteirinha me veja

Construí uma avenida
Com palavras e aquarela
Coloquei seu nome nela
E fechei com fino estar

Usei cubismo em duotone
Com paletas de egoísmo
Foi aquém do que eu preciso
Pra só eu te ver passar.

17 de jun. de 2009

Mais uma comemoração


Até

O mar
Ah, mar...
Amar
Martírio
Mar lírio
Amortecer
Amor tecer
Amortizar
A morte usar
Amor te dar
Até a morte

27 de mai. de 2009

A comemoração de 1 ano e 9 meses de blog

E desde quando isso é razão pra comemorar?

Acordei com vontade de escrever um pouco mais sobre mim do que quase todo mundo sabe. Acho que não me lembro de ter tido essa vontade de escancarar a porta. Nas vezes que escrevi de mim, escrevi disfarçado de narrador ou me escondi através de um eu-lírico letárgico.

Filho de Leonardo e Cleonice, irmão mais velho de Diêgo, pisciano, nasci em 25 de fevereiro como Leonardo Curcino Alves de Sousa Junior e acabei virando só Leonardo Curcino ou Leo Curcino mesmo (como instituiu o Victão no coletivo manazinabre.blogspot.com, na qual participo todos os terceiros dias do mês, fora algum displicente atraso). Nasci mineiro, virei goiano e agora estou paulistando. Na terra das oportunidades e do caos, formado publicitário, vim buscar meu brio. Os holofotes que sonhava na infância ainda não vieram, nem mesmo o sucesso e a estabilidade, mas veio a independência.

Provavelmente, a publicidade tenha sido mera consequência. A paixão pela arte veio logo cedo. Aos 6 ou 7 anos, dava meus primeiros rabiscos. Aos 10, comecei a pincelar. Depois, vieram o interesse por quadrinhos, literatura, poesia, música e cinema. Acabei me envolvendo um pouco com tudo isso e não me dedicando exclusivamente a nenhum. No fim das contas, artista frustrado, virei Diretor de Arte. A tablet substituiu o lápis e o papel, apesar de minha prática com ilustração ter se tornado quase nula. Meu violão, eu encostei em um canto qualquer. Os quadros que pintei se perderam em uma das mudanças de residência e as tintas guache, nanquim e óleo deram lugar ao Photoshop. Continuo escrevendo com ar de quem não sabe muito onde quer chegar. Geralmente, gosto de me expressar através de poemas, mas me arrisquei a escrever em prosa umas 5 ou 6 vezes. Não gosto de escrever coisas longas. Fico com medo de me perder e a história perder o ritmo, a graça e o rebolado.

Costumo falar que meus poemas são semi-poemas ou irregulares e, consequentemente, eu sou um semi-poeta. Não tenho a disciplina dos gregos em escrever seguindo as normas. Não ligo pra métrica, pra rima e pro ritmo. Não me preocupo se minhas estrofes são monostícas, dísticas, ..., quintilhas e assim por diante. Não me preocupo com os antecantos e bordões. Não tenho a menor paciência pra escansão. Prefiro usar e abusar das licenças poéticas e alegorias. Até entendo os conservadores que consideram tal prática irresponsável, mas não me importo, sinceramente.

Nesse 1 ano e 9 meses de blog, escrevi sobre vários assuntos, mas devo concordar que a principal temática foi o amor. O mais curioso de tudo isso é que eu nunca tinha amado, até então. Talvez, tenha gostado de uma ou outra pessoa, o que é normal, mas sempre me inspirei nos romances de filme, casais de amigos, em pontos de ônibus, restaurantes, cinema ou, talvez, no romance que gostaria de viver. Ele veio. Hoje, vejo como muitas coisas que eu escrevi servem pra mim e fazem muito mais sentido agora. Hoje, quase todas as canções de amor fazem sentido. Prova disso é que foram 76 posts e o único texto que não era meu é justamente dela! Mais curioso ainda é que se estamos juntos hoje é principalmente graças a este blog, já que foi através dele que nos conhecemos e através dele que veio o encanto recíproco. Obrigado Volúpia Casual, obrigado por cada palavra, cada data, cada comentário, foi tudo muito válido.

Espero que venham muitos outros anos e meses. Espero que o sucesso venha. Espero que os leitores LEIAM e comentem. Espero que hoje eu não tenha que trabalhar até tarde. Espero que o Corinthians seja campeão. Espero que o romance dure. Espero que a volúpia continue e seja, cada vez, menos casual.

25 de mai. de 2009

Travesseiro e cobertor


Me aconcheguei entre seus seios cobertos por uma confortável blusinha rosa semi-decotada. Era muito mais uma cena de conforto do que erótica, mas foi impossível não querer estar dentro de você naquele momento. Foi impossível controlar meu sexo que palpitava por baixo da bermuda. Aquele momento durou uns três minutos ou, talvez, tivessem sido quinze ou vinte, sei lá... Cá entre nós, eu fiz questão de aproveitar cada segundo daquele instante. Quando acabou, não sei se estava me sentindo melhor ou pior por ter acabado. Me bateu uma súbita ansiedade quase desesperadora. Agora, vou ter que esperar a semana inteira pra deleitar suas roupas, invadir suas pernas, manchar seu lençol...

Mas... E se semana que vem não chegar? E se me deixar na quarta ou na quinta?
Não é algo lá tão impossível considerando a inconstância do mundo e a sua inconstância. Esse pensamento trouxe consigo uma súbita agonia e uma taquicardia que preferi não assumir. Passou.

Tentei uma ou quatro vezes, mas não consegui me lembrar qual foi a última conversa que tive com seu travesseiro nem o último segredo que contei para seu cobertor, mas alguns suspiros depois, pude ouvir ambos me chamando insistentemente. Era como se eles fizessem questão de minha presença. Essa sensação me deu um pouco de paz interior. Passou. Mas pelo menos, sentia que os objetos da sua casa me queriam por perto. Talvez sua cachorrinha de estimação e o video game do seu irmão também queiram. Uma ou outra coisa também devem gostar da minha presença. Você, talvez, de vez em quando, também goste, mesmo eu não estando sendo nem de longe o homem que gostaria de ser.

Arrumei de qualquer jeito a mochila que sempre levo, esqueci alguma coisa ou outra em seu quarto - talvez, propositalmente, pra ter a certeza de que vou voltar pra buscar - e embarquei. Dentro de três ou cinco horas estaria em casa, dormiria uns trinta ou cinquenta minutos e iria para o trabalho. Pronto. Começou de novo. Estou sendo vencido pelo sono. Talvez, nem consiga terminar de escrever até o final. Acredito que dentro dos próximos instantes, irei apagar aqui no onib

4 de mai. de 2009

Sexta


É triste começar um texto falando do final. É como revelar o final do filme no trailer ou casar o galã e a mocinha da novela no primeiro capítulo. É desconcertante e pode até tornar a obra pobre, mas desculpem esse fraco pseudo-poeta se arriscando a escrever sem versos. Não consigo fazer diferente agora. É segunda-feira e segunda-feira é dia de despedida. 

Ela embarcou hoje de manhã e levou consigo o sorriso sereno. Deixou comigo a saudade pré adquirida e o sono de uma noite mal dormida. Estes embarcaram comigo no metrô enquanto eu ainda procurava a mão que me conforta. Semi-acordado, estupefato, tateando o assento do trem, cheguei a tocar a mão de uma senhora ao meu lado. Com um semi-pulo, acordei sem graça quando percebi que era a mão errada. Mas era como se a mão dela ainda estivesse presente. Era tão recente a despedida que eu ainda não tinha me acostumado com sua ausência. Ainda não tinha digerido. A sensação de afasia é bem mais aparente no dia da partida e no dia que antecede a partida!

Foi-se o dia, entardeceu, anoiteceu... Amanhã é terça, quarta tem jogo decisivo do meu time e quinta é o dia que antecede o fim da falta. Que o relógio acelere. 

24 de abr. de 2009

Piada

Espetáculo de absurdos

Foi somente uma piada sem graça
Para animar um espetáculo de absurdos
Os artistas se esconderam atrás do vermelho
O público foi embora sem aplaudir
E todos os flashs foram em vão.

19 de abr. de 2009

Perdendo os sentidos

Quisera eu ser a única por quem suspiras
E a única a ouvir todas as noites teus gritos loucos, roucos

Quisera eu beijar-te os lábios ternos
E degustar-te todo o corpo, até que te quedes morto

Quisera eu tocar-te a pele cálida, atingir-te a alma
E então descobrir aquilo que ocultas, sem culpas

Quisera eu o teu cheiro em minhas vestes
E que só comigo partilhasses tal perfume, para que eu jamais perecesse de ciúme

Quisera eu fixar em ti meus olhos,
Contemplar-te a face serena e encabular-te sem pena.

*Quanto ao meu sexto sentido de mulher,
Revelo que este não menos te quer
Seja na tristeza ou na alegria,
Seja na poesia do dia-a-dia.


"Querido, a diversidade de tempos verbais teve o seu propósito. Foi a forma que encontrei de demonstrar que o que sinto por ti ocorre em qualquer tempo.

Te amo.

Beijos,
da tua Aline.

18/04/2009"

30 de mar. de 2009

Queria...

Me bastasse

Queria tanto um amor, súbito,
Devastador, sem sentido,
Que me arrebatasse,
Me desmaiasse,
Me amassasse o vestido

Queria que me encontrasse,
E me observasse à distância,
Como alguém da mais remota infância
Um alguém sorridente, de covinha indecente,
Que me dissesse nos lábios
O mesmo que meu peito
Que me batesse nas veias
O mesmo fervilhar sem jeito

Queria tanto amar
Sem culpa ou lugar, caminhar na calçada
- de mãos dadas -
Ser feliz na orla, na sorveteria,
No bar, na drogaria
Meu cachorro, sua poesia


Queria tanto saber que fiz alguém feliz,
Que esse alguém sente minha falta,
Que me procura nos desenhos das nuvens
Me bastasse uma vida contigo
Me bastasse um minuto de ti
Me bastasse...