Açúcar
Eu sou agora um pouco mais
Que os restos não vividos de ontem
E amanhã serei um tanto mais
Do que as verdades que escondi,
As bromélias que eu vi,
E a cerveja que matei no bar
O placebo que tomei pra me curar
Só solfejou meu trabalho diário
Não valeu a pena o copo d'água
Não valeu o tempo da degustação
Ainda descubro a cura para todo mal
Ainda farei da sorte subterfúgio
Mas quer saber? Já passou!
Já me esquivei da quina
Já virei a página
Agora, ando meio erótico, meio bucólico,
Buscando a distração à noite toda
Esperando pelo bis de amanhã... E que venha!
Gondry que me perdoe, mas eu
Rebobinei minha mente sem lembranças
Sem direito a stop ou replay
Sem direito a regravação de cena
E as lembranças poucas que me restaram
É um quiprocó do óbvio
Que Deus me livre e guarde!

Eu quero partilhar meu vinho,
Minha foto estampada, um nome bobinho,
Eu quero um abraço no refrão
Eu quero o colo e um pouco mais
Uma xícara de açúcar, meia colher de chá.







