Dancei à luz do bar
Tão imediata e sexy
Era ali meu momento livre
Com exceção da prisão dos
Olhos alheios compenetrados
Penetrando meus traços,
Minhas curvas e vestido branco
Flanco, suficientemente curto
Que era pra quase você ver
O que tenho a te oferecer
Em noites como hoje, de lua minguante
Cheia de graça, me arrasta,
Me traça e joga na sua cama,
Me chama de musa, de bem-estar
Me diz no ouvido coisas boas de escutar
Pode ser safadeza, destreza, sobremesa
Eu quero dançar até o sol raiar.
8 de jun. de 2011
15 de mar. de 2011
Doce de março
Depois do pranto, o doce desencanto
Paz em dia de guerra e em dia santo
Voltei a ser o poeta que fala de amor
Mesmo nunca tendo amado ninguém
Sim, é como se não tivesse existido
Não é amargura, nem coração partido
É convicção plena, anestesia extrema
Ah, o doce tilintar dessa liberdade
Deixou meus ouvidos boêmios com vontade
E o coração fica buscando grandes paixões
Novas nações, intensas canções de bar
Deixa esse coração bater e a mente destoar
Mas quem é essa que veio sem avisar?
Será que quer te mostrar como é amar?
Anda feito você, só não quer sofrer
Eram pra ser só encontros casuais?
Armênia, Tucuruvi, Tietê, Consolação
Doce brigadeiro, jeito certo de segurar a mão
A espera no ponto, o atraso no encontro
O baton vermelho, o perfume, a foto no espelho
Quarta-feira, sábado e domingo
Cadê aqueles doces olhos castanhos
E os cabelos que a barba bagunçou?
Será que foi embora e não volta mais?
Peço desculpas se fiz o que não devia,
Falei em demasia, pensei o que não podia,
Se quis o beijo doce todo dia
Será que foi embora e não volta mais?
Se assim fez, me resta deixá-la em paz,
Mesmo sabendo que poderia ser muito mais.
4 de fev. de 2011
Pedindo reza
Ao passo que subo os degraus da Catedral da Sé,
Busco lembranças distintas, já bem saciadas
Dos surrados tempos que eu ainda tinha fé
E pensar que hoje, eu me ajoelho e nem sei mais rezar
Acabei de errar o Pai Nosso e até a Ave Maria
Eu esqueci as palavras, esqueci como era acreditar,
Mas já que esse Deus existe, vim dar bom dia
Ele há de responder e eu vou dizer amém
Cumpri meu dever de filho, me banhei de água benta, enfim
Na volta, vi pessoas jogadas às traças, desejando o fim
E eu aqui querendo redenção? E eu aqui pedindo a sua mão?
Pensando bem, Deus, me esqueça, pode deixar
Vá cuidar dessa gente toda, elas precisam mais
Olha por mim amanhã, quando a tempestade passar.
Busco lembranças distintas, já bem saciadas
Dos surrados tempos que eu ainda tinha fé
E pensar que hoje, eu me ajoelho e nem sei mais rezar
Acabei de errar o Pai Nosso e até a Ave Maria
Eu esqueci as palavras, esqueci como era acreditar,
Mas já que esse Deus existe, vim dar bom dia
Ele há de responder e eu vou dizer amém
Cumpri meu dever de filho, me banhei de água benta, enfim
Na volta, vi pessoas jogadas às traças, desejando o fim
E eu aqui querendo redenção? E eu aqui pedindo a sua mão?
Pensando bem, Deus, me esqueça, pode deixar
Vá cuidar dessa gente toda, elas precisam mais
Olha por mim amanhã, quando a tempestade passar.
25 de jan. de 2011
O viciado
Desceu o mapa em busca de aventura. Já que a vida é feita de breves alegrias, só queria escrever um miniconto sem rasura. Queria perder por alguns instantes essa fissura, esquecer. Mas pensar em esquecer já é se lembrar. Precisava tentar, precisava tentar, precisava. Parecia castigo divino, o corpo dela atenta. Teu corpo reluta, mas a hora passa lenta. Tenta. Tenta. Tenta. Não! Não liga. Não escreve. Não pensa. Sei que ainda a enxerga em seus sonhos, mas precisa deixá-la partir. A saudade é traiçoeira, mas é questão de sobrevivência agora. Ela não te enxerga mais. Essa é a razão. E não pense que ela é má por isso. Não importa se não tem sentido, se houve ou não houve motivo. Só aceite que ela preferiu soltar tua mão. Vamos, levanta. Levanta desse chão. Vai sujar a calça que te comprei semana passada em ponta de estoque. Vamos, me dê sua mão. Esquece aquela curva antes do portão. Lembra que é um vício e tem cura. Tem que ir até o fim agora. O processo é lento, mas o resultado é garantido. Vai passar.
20 de jan. de 2011
Fé passageira
Chega de falar de amor, de romance
Já que a musa se foi, vou mudar de assunto
Vou falar de devaneios, mundanices,
Falar de alegrias, tudo isso junto
Garanto, prova de amor maior não há
Abrir mão do amor pro outro ser feliz
Eu sei, não foi isso que eu quis,
Mas a vida tem lá os seus anseios
De repente, o vento passa e leva tudo embora
Me deixa aqui sem teto, sem parede, sem chão
Outrora a fé é passageira, outrora não
Calço o sapato, visto a roupa nova e vou embora
Pra onde, ainda não sei, isso pouco importa
Junto os cacos, fecho a janela, tranco a porta.
Já que a musa se foi, vou mudar de assunto
Vou falar de devaneios, mundanices,
Falar de alegrias, tudo isso junto
Garanto, prova de amor maior não há
Abrir mão do amor pro outro ser feliz
Eu sei, não foi isso que eu quis,
Mas a vida tem lá os seus anseios
De repente, o vento passa e leva tudo embora
Me deixa aqui sem teto, sem parede, sem chão
Outrora a fé é passageira, outrora não
Calço o sapato, visto a roupa nova e vou embora
Pra onde, ainda não sei, isso pouco importa
Junto os cacos, fecho a janela, tranco a porta.
8 de jan. de 2011
O assaltante
Pode, pode levar o que quiser de mim
Leva o celular, leva a carteira, os rins
E se puder, leva também meu coração
Pode, pode levar todo o meu dinheiro
Leva o relógio, leva o quarto inteiro,
O carro que eu ainda pago à prestação
Pode, pode ficar com minha sexta-feira,
Sábado e domingo, a semana inteira,
Leva contigo meu amigo violão
Senhor ladrão, encontrou o cara certo
Não pretendo reagir, eu não quero mais confusão
Vai pra casa e paga as contas da família
Só com esse assalto, faturou mais de um milhão
Pode, pode levar o que quiser de mim
Leva a TV, as flores do jardim
Mas por favor, não esquece o coração
Leva contigo os meus versos tolos
Leva os retratos, os quadros da parede
Pode levar também a minha rede
Os discos, o som, leva o liquidificador
Tritura toda essa loucura, esse descontrole
Essa agonia, a nostalgia, minha cacofonia
Pode levar contigo os cacos, leva o fim do dia
Boa sorte companheiro, faça bom proveito
Não foi tudo em vão.
Leva o celular, leva a carteira, os rins
E se puder, leva também meu coração
Pode, pode levar todo o meu dinheiro
Leva o relógio, leva o quarto inteiro,
O carro que eu ainda pago à prestação
Pode, pode ficar com minha sexta-feira,
Sábado e domingo, a semana inteira,
Leva contigo meu amigo violão
Senhor ladrão, encontrou o cara certo
Não pretendo reagir, eu não quero mais confusão
Vai pra casa e paga as contas da família
Só com esse assalto, faturou mais de um milhão
Pode, pode levar o que quiser de mim
Leva a TV, as flores do jardim
Mas por favor, não esquece o coração
Leva contigo os meus versos tolos
Leva os retratos, os quadros da parede
Pode levar também a minha rede
Os discos, o som, leva o liquidificador
Tritura toda essa loucura, esse descontrole
Essa agonia, a nostalgia, minha cacofonia
Pode levar contigo os cacos, leva o fim do dia
Boa sorte companheiro, faça bom proveito
Não foi tudo em vão.
6 de jan. de 2011
Poema do portão e da porta
Entrava no poema como quem entra num bar
E sai bêbado caindo pela falta de chão
A poesia era um buraco maior que o buraco
Sem fundo, descendo até o fim do mundo
Entro no poema como quem come arroz e feijão
E sai dia afora para encarar a existência
A poesia lava os pés e as lágrimas
A poesia acalma as lástimas
Queria entoar meus versos na estrada
Mas são mais de 500 quilometros de ida e volta
Mais a voltinha do portão, mais os metros da porta
Queria ensinar as pessoas a escreverem versos
Para todo mundo escrever poesia nesse mundo vagabundo
Todo mundo sentir bem sentido, lá no fundo.
E sai bêbado caindo pela falta de chão
A poesia era um buraco maior que o buraco
Sem fundo, descendo até o fim do mundo
Entro no poema como quem come arroz e feijão
E sai dia afora para encarar a existência
A poesia lava os pés e as lágrimas
A poesia acalma as lástimas
Queria entoar meus versos na estrada
Mas são mais de 500 quilometros de ida e volta
Mais a voltinha do portão, mais os metros da porta
Queria ensinar as pessoas a escreverem versos
Para todo mundo escrever poesia nesse mundo vagabundo
Todo mundo sentir bem sentido, lá no fundo.
26 de dez. de 2010
Queridas epifanias
Ensaiei versos cantados
Tateei belas palavras
Busquei rendondilhas
Frases repetidas,
Pequenas alegrias,
A visão do firmamento
Não vi mais, nem ouvi
Não li, não senti
Saudade das nossas
Queridas epifanias,
As tardes de maresia,
As brincadeiras no colchão,
Nossas roupas pelo chão,
Os cachorros pela casa,
Todas as horas de estrada
Não vi mais, nem ouvi
Não li, não senti.
Tateei belas palavras
Busquei rendondilhas
Frases repetidas,
Pequenas alegrias,
A visão do firmamento
Não vi mais, nem ouvi
Não li, não senti
Saudade das nossas
Queridas epifanias,
As tardes de maresia,
As brincadeiras no colchão,
Nossas roupas pelo chão,
Os cachorros pela casa,
Todas as horas de estrada
Não vi mais, nem ouvi
Não li, não senti.
22 de dez. de 2010
O carrinho amarelo
Quando eu era menino, bem menino, tinha uns 5 ou 6 anos de idade, eu morava numa pequena cidade lá do interiorzão de Minas e costumava brincar com o Edu, meu vizinho, um garotinho que tinha mais ou menos a minha idade. Lembro que o Edu ia até a minha casa e ficávamos brincando de carrinho no quintal. Ele levava uns dois ou três carrinhos dele e eu pegava os que eu tinha, que não eram muitos também. Dentre esses, tinha um amarelo que era o meu preferido. Ele era realmente muito mais bonito que os outros e, por conta isso, o Edu sempre pedia pra brincar com ele. Eu ficava meio chateado, mas acabava deixando o Edu brincar com ele e pegava um outro dele, que era o segundo mais bonito.
Certa vez, fomos começar a brincar e eu disse pro Edu que naquele dia, eu iria brincar com o meu carrinho amarelo, já que eu nunca brincava com ele. O Edu, em uma negativa firme e decidida, contrariado, se levantou e disse que desse jeito, ele não brincava, que só brincava se fosse com o amarelo. Eu tentei convencê-lo de fazer diferente, já que eu sempre deixava ele brincar com o carrinho, mas ele foi irredutível e, como eu estava muito a fim de brincar, acabei cedendo.
Brincamos durante um bom tempo, que não saberia dizer quanto, já que o dia passa muito mais rápido na infância e depois o Edu foi embora. No dia seguinte, o Edu veio cedo com os carrinhos, me chamando pra brincar. Na hora de escolher o carrinho que cada um iria controlar, lá foi ele de novo pegando o meu carrinho amarelo preferido. Eu olhei pra ele com cara de bravo e lembro dele ter dito algo como: "Ah... Nem vem. Para de reclamar e vamos brincar logo, poxa!". E essa situação se repetiu mais alguns dias. Eu acabava me divertindo brincando com o Edu, mas sempre ficava chateado, porque ele nunca me deixava brincar com o meu carrinho amarelo.
Eis que um dia, eu bati o pé e disse que iria ficar com o amarelo, pois nunca tinha brincado com ele. O Edu pegou os carrinhos dele contrariado, saiu dizendo que eu era um traíra ou qualquer coisa do tipo e disse que não brincaria comigo nunca mais, que a partir daquele dia, eu não era mais amigo dele.
Mais tarde, fui contar pra minha mãe o que tinha acontecido e ela ficou muito brava comigo. Ela me deu uma bronca daquelas que eu nunca esqueci. "Mas o que é isso que você tá fazendo? Amizade não se compra! Isso é um absurdo! Como você se prestou a um papel desses? Se o Eduardo gostasse mesmo de você, ele iria querer brincar, independente de você emprestar ou não o seu carrinho. Quando a pessoa gosta mesmo de você, ela cede também, não é assim. Se você fizer isso de novo, vai tomar uma surra pra largar de ser bobo. Tá avisado!" - disse a minha mãe quase gritando, totalmente nervosa. Acho que foi o jeito dela de tentar me ensinar a dizer não.
Depois desse dia, o Edu não apareceu mais lá em casa. Eu fiquei bem triste pelo sumiço dele, porque não tinha mais com quem brincar. Meu irmão era bem pequeno naquela época, devia ter uns 2 anos de idade, e não sabia brincar de carrinho. Lembro de ter ficado um bom tempo vendo televisão e brincando sozinho. Eu pegava pedaços de tijolo das casas em construção e desenhava pistas de corrida no quintal, como se fossem circuitos de competição para os meus carrinhos. Eu era o piloto do carro amarelo e sempre era campeão. Foi nessa época que meu pai me deu um Atari de presente de natal e até jogava comigo, as vezes, pra eu não ficar só brincando sozinho.
Depois, veio a escolinha e comecei a fazer novos amiguinhos, que aceitavam brincar comigo mesmo se eu não emprestasse meu carrinho favorito. E hoje, me pergunto: será que aprendi a dizer não? Saudades de olhar com os olhos daquele menino.
Certa vez, fomos começar a brincar e eu disse pro Edu que naquele dia, eu iria brincar com o meu carrinho amarelo, já que eu nunca brincava com ele. O Edu, em uma negativa firme e decidida, contrariado, se levantou e disse que desse jeito, ele não brincava, que só brincava se fosse com o amarelo. Eu tentei convencê-lo de fazer diferente, já que eu sempre deixava ele brincar com o carrinho, mas ele foi irredutível e, como eu estava muito a fim de brincar, acabei cedendo.
Brincamos durante um bom tempo, que não saberia dizer quanto, já que o dia passa muito mais rápido na infância e depois o Edu foi embora. No dia seguinte, o Edu veio cedo com os carrinhos, me chamando pra brincar. Na hora de escolher o carrinho que cada um iria controlar, lá foi ele de novo pegando o meu carrinho amarelo preferido. Eu olhei pra ele com cara de bravo e lembro dele ter dito algo como: "Ah... Nem vem. Para de reclamar e vamos brincar logo, poxa!". E essa situação se repetiu mais alguns dias. Eu acabava me divertindo brincando com o Edu, mas sempre ficava chateado, porque ele nunca me deixava brincar com o meu carrinho amarelo.
Eis que um dia, eu bati o pé e disse que iria ficar com o amarelo, pois nunca tinha brincado com ele. O Edu pegou os carrinhos dele contrariado, saiu dizendo que eu era um traíra ou qualquer coisa do tipo e disse que não brincaria comigo nunca mais, que a partir daquele dia, eu não era mais amigo dele.
Mais tarde, fui contar pra minha mãe o que tinha acontecido e ela ficou muito brava comigo. Ela me deu uma bronca daquelas que eu nunca esqueci. "Mas o que é isso que você tá fazendo? Amizade não se compra! Isso é um absurdo! Como você se prestou a um papel desses? Se o Eduardo gostasse mesmo de você, ele iria querer brincar, independente de você emprestar ou não o seu carrinho. Quando a pessoa gosta mesmo de você, ela cede também, não é assim. Se você fizer isso de novo, vai tomar uma surra pra largar de ser bobo. Tá avisado!" - disse a minha mãe quase gritando, totalmente nervosa. Acho que foi o jeito dela de tentar me ensinar a dizer não.
Depois desse dia, o Edu não apareceu mais lá em casa. Eu fiquei bem triste pelo sumiço dele, porque não tinha mais com quem brincar. Meu irmão era bem pequeno naquela época, devia ter uns 2 anos de idade, e não sabia brincar de carrinho. Lembro de ter ficado um bom tempo vendo televisão e brincando sozinho. Eu pegava pedaços de tijolo das casas em construção e desenhava pistas de corrida no quintal, como se fossem circuitos de competição para os meus carrinhos. Eu era o piloto do carro amarelo e sempre era campeão. Foi nessa época que meu pai me deu um Atari de presente de natal e até jogava comigo, as vezes, pra eu não ficar só brincando sozinho.
Depois, veio a escolinha e comecei a fazer novos amiguinhos, que aceitavam brincar comigo mesmo se eu não emprestasse meu carrinho favorito. E hoje, me pergunto: será que aprendi a dizer não? Saudades de olhar com os olhos daquele menino.
16 de dez. de 2010
Vinte e três
Era para ser um dia de fé renovada
Um dia de dezembro, mais um mês
A verdade foi perdida, alterada
Busquei vinte e três motivos, vinte e três
Escolhi vinte e três poemas de amor, mandei
Pensei em vinte e três palavras,
Vinte e três momentos e anseios,
Acendi vinte e três velas e, eu, ateu,
Rezei vinte e três minutos ajoelhado
Vinte e três contados, de olhos fechados
Logo eu que sempre busquei a verdade
Acabei deixando faltar o que não devia
Falta de amor não teve, no máximo, afasia
Ah, se eu tivesse mais um dia, mais um dia...
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