Aproveitei o ano novo para te escrever novos versos
Nem que seja apenas para reiterar mais do mesmo
É que eu sou melhor com as palavras planejadas
No improviso, as vezes eu erro o tom, o jeito, o tempo,
Erro até mesmo a frase toda ou cometo excessos literários,
No calor da emoção, eu fico todo torto, me desespero
Nem sempre consigo conter esse turbilhão de sensações
É medo de falhar, de ser esquecido, de te fazer mal, enfim
Por isso escrevo assim, sem rima, sem ritmo, apertado
Que é como o coração ficou quando você partiu daqui
Mas eu sei que você precisa ir cuidar do teu reino
Eu sei das suas batalhas, eu conheço as suas lutas
Queria eu conseguir ser âncora para todos os ventos
Mesmo de longe e mais ainda quando perto
E que pena que fico bem menos perto do que longe
Que a saga do tempo me permita mudar essa rotina
Mais campainhas tocando, menos quilômetros de distância
Mais "pode subir" ou "fica" e menos check-ins de voos
E eis que você decide ficar e até minha rima volta
Mais rápido que rede wi-fi o seu riso bate a porta,
Porque fazer sorrir é tipo magia, é quase um dom,
Cada suspiro flui no ritmo da velocidade do som
Quando entendi que não era fugaz, confesso que hesitei,
Sempre soube que seria áspero, hoje em dia, nem sei
Mas evitar algo tão precioso seria imensa covardia
Cada dia mais, sinto que achar você foi ganhar na loteria.
9 de jan. de 2020
31 de out. de 2019
Volta
Assim que tranquei a porta e saí da pousada na Rua Mangaba,
Senti meu peito mais turvo e gelado que a Cachoeira do Segredo
Como se meu coração tivesse ficado para trás, em alguma trilha,
Em alguma estrada, na risoteria de ontem ou na noite estrelada
A cada degrau que eu descia com a mala, mais longe eu ficava
Mais xoxo, menos sereno, mais o peito outrora radiante apertava
Como eu posso ir agora, se a gente ainda nem subiu na torre de lá?
Aliás, ainda há tanto lugar pra gente subir e tanto para se explorar
Entrei no carro querendo emanar boas energias de todos os cristais,
De todos os bons espíritos, os bons ventos, todos os santos e orixás
Se até a lua tem fases e fica minguante só para as estrelas luzirem mais,
Eu prefiro acreditar que logo a gente espanta esses infernos astrais
Escolho lembrar de você flutuando nas águas cristalinas de Santa Bárbara
Do restaurante da volta, do seu gozo, o bolo de chocolate, o pão de abóbora,
Dos desejos de voltar em breve, de ganhar na sena e ter uma chácara
Eu escolho confiar que logo volta a soar o seu canto e o seu riso
Enquanto esse dia não chega, toca aí a playlist que eu fiz pra você.
Senti meu peito mais turvo e gelado que a Cachoeira do Segredo
Como se meu coração tivesse ficado para trás, em alguma trilha,
Em alguma estrada, na risoteria de ontem ou na noite estrelada
A cada degrau que eu descia com a mala, mais longe eu ficava
Mais xoxo, menos sereno, mais o peito outrora radiante apertava
Como eu posso ir agora, se a gente ainda nem subiu na torre de lá?
Aliás, ainda há tanto lugar pra gente subir e tanto para se explorar
Entrei no carro querendo emanar boas energias de todos os cristais,
De todos os bons espíritos, os bons ventos, todos os santos e orixás
Se até a lua tem fases e fica minguante só para as estrelas luzirem mais,
Eu prefiro acreditar que logo a gente espanta esses infernos astrais
Escolho lembrar de você flutuando nas águas cristalinas de Santa Bárbara
Do restaurante da volta, do seu gozo, o bolo de chocolate, o pão de abóbora,
Dos desejos de voltar em breve, de ganhar na sena e ter uma chácara
Eu escolho confiar que logo volta a soar o seu canto e o seu riso
Enquanto esse dia não chega, toca aí a playlist que eu fiz pra você.
17 de out. de 2019
Imprevista e insana
Desde o primeiro passo em seu costumeiro lar,
Me senti como se estivesse exatamente
No único lugar onde realmente deveria estar
E pouco me importava se era Jaó ou Marista
Se era sobrado ou kitnet, no escuro ou no claro,
No sofá da sala ou entre as almofadas do quarto
Só queria passear pelas curvas do teu bosque
Até que a passarada anunciasse o amanhecer
E poder voltar no dia seguinte, desacelerado
Medir e sentir delicadamente palmo a palmo
Depois forte, depois lento, depois sóbrio
Deslizar em teu corpo embaraçado a finas teias
E te apresentar minha alma que sente e vibra
Nem que seja só pra desmistificar as causas vãs
E te ajudar a recolher as folhas secas da varanda,
Os discos furados e todos estes cacos na cozinha
Eu sei que carrego um lado torto e outro corcunda,
Mas deixa eu jogar fora toda essa lama imunda?
Vim enaltecer sua força inquieta, imprevista e insana
Que me trouxe de volta o coração ardente e em chama
E agora? Eu fico? Por que ir daqui, se é tão bom ficar?
Se a vida é mesmo essa rude aventura passageira,
Por que chorar tortuosamente, se o tempo não volta?
Pra que se o "não" é sempre o que mais passa ligeiro?
Melhor mesmo é curtir contigo cada nota desse canto
Ou jogar Desafino em uma exausta tarde de domingo
Seja na praia ou cachoeira, Pinheiros ou Ipiranga
Planejando a próxima viagem ou lembrando da última
Quer ficar e contar comigo as esquinas do caminho
Até a gente perder a conta e a vontade de contar?
Não sei quantos quilômetros tem a nossa estrada
Tampouco, sei qual é a velocidade máxima permitida
Mas desse lado da janela, vejo ipês e mudas novas
Vejo nuvens desenhadas, céu azul e águas calmas
Nenhuma placa de Stop ou de curva sinuosa
Sigamos assim, como um pincel traçando obras novas.
Me senti como se estivesse exatamente
No único lugar onde realmente deveria estar
E pouco me importava se era Jaó ou Marista
Se era sobrado ou kitnet, no escuro ou no claro,
No sofá da sala ou entre as almofadas do quarto
Só queria passear pelas curvas do teu bosque
Até que a passarada anunciasse o amanhecer
E poder voltar no dia seguinte, desacelerado
Medir e sentir delicadamente palmo a palmo
Depois forte, depois lento, depois sóbrio
Deslizar em teu corpo embaraçado a finas teias
E te apresentar minha alma que sente e vibra
Nem que seja só pra desmistificar as causas vãs
E te ajudar a recolher as folhas secas da varanda,
Os discos furados e todos estes cacos na cozinha
Eu sei que carrego um lado torto e outro corcunda,
Mas deixa eu jogar fora toda essa lama imunda?
Vim enaltecer sua força inquieta, imprevista e insana
Que me trouxe de volta o coração ardente e em chama
E agora? Eu fico? Por que ir daqui, se é tão bom ficar?
Se a vida é mesmo essa rude aventura passageira,
Por que chorar tortuosamente, se o tempo não volta?
Pra que se o "não" é sempre o que mais passa ligeiro?
Melhor mesmo é curtir contigo cada nota desse canto
Ou jogar Desafino em uma exausta tarde de domingo
Seja na praia ou cachoeira, Pinheiros ou Ipiranga
Planejando a próxima viagem ou lembrando da última
Quer ficar e contar comigo as esquinas do caminho
Até a gente perder a conta e a vontade de contar?
Não sei quantos quilômetros tem a nossa estrada
Tampouco, sei qual é a velocidade máxima permitida
Mas desse lado da janela, vejo ipês e mudas novas
Vejo nuvens desenhadas, céu azul e águas calmas
Nenhuma placa de Stop ou de curva sinuosa
Sigamos assim, como um pincel traçando obras novas.
21 de ago. de 2019
Das 5 às 9
Eu que fiquei dias a contar segundos
Verbalizando os mais tortos escritos,
Os mais quentes e os mais intensos que vivi,
Agora não vejo a hora de ouvir teus áudios
Saindo direto de tua boca desejando a minha
E, de olhos inebriados, peço aos que me ouvem
Que você continue desejando amanhã de manhã
Mais ainda, que a vontade aumente no tardar do dia
E que os momentos seguintes sejam de fogo e volúpia
Ainda que o hiato sem teu gosto venha logo em seguida
Das 5 às 9, os minutos parecem poucos, quase nada
Ademais, eu trocaria meses de vida por cada sorriso assim,
Por cada um desse levantar de sobrancelha e cada gozo seu
Abriria mão de eternos para viver ao seu lado instantes
Ainda que seja só pra ouvir esse "eu te gosto", que soa falso
Esse mês durou enormes semanas vazias, mas amanhã cessa.
Verbalizando os mais tortos escritos,
Os mais quentes e os mais intensos que vivi,
Agora não vejo a hora de ouvir teus áudios
Saindo direto de tua boca desejando a minha
E, de olhos inebriados, peço aos que me ouvem
Que você continue desejando amanhã de manhã
Mais ainda, que a vontade aumente no tardar do dia
E que os momentos seguintes sejam de fogo e volúpia
Ainda que o hiato sem teu gosto venha logo em seguida
Das 5 às 9, os minutos parecem poucos, quase nada
Ademais, eu trocaria meses de vida por cada sorriso assim,
Por cada um desse levantar de sobrancelha e cada gozo seu
Abriria mão de eternos para viver ao seu lado instantes
Ainda que seja só pra ouvir esse "eu te gosto", que soa falso
Esse mês durou enormes semanas vazias, mas amanhã cessa.
4 de ago. de 2019
Loiros
Hoje, de novo, pensei nos seus loiros e
Desejei encontrar alguns fios no travesseiro
Depois no carro, na comida, no banheiro
Quis entrar nas suas fotos publicadas
Todas tão distintas, tão elogiadas,
Só para fitar de perto suas curvas,
Suas lutas, suas rotas e te roubar pra mim
Queria eu te levar pro mundo,
Caminhar contigo pelas calçadas,
Pelas avenidas, pelas madrugadas
Te mostrar o Empire, o MoMA, o Guggenhein,
Já que me falta o juízo, eu podia ter, ao menos, a sorte
De descer seu corpo do Upper a Dowtown
Cruzar a ponte e voltar de novo
Até você ficar realizada, até se cansar
Te fazer musa, like a Hollywood superstar
E também sair comigo, assim que eu voltar
Não mordo, não te ataco, eu hei de aguentar
Ah, loira, mais bela que a vista do Top of the Rock
Vou pôr seu nome nas marquees da Broadway
E depois, debaixo do meu lençol, do meu teto
Enfim, não custa sonhar, anyway, eu sei.
Desejei encontrar alguns fios no travesseiro
Depois no carro, na comida, no banheiro
Quis entrar nas suas fotos publicadas
Todas tão distintas, tão elogiadas,
Só para fitar de perto suas curvas,
Suas lutas, suas rotas e te roubar pra mim
Queria eu te levar pro mundo,
Caminhar contigo pelas calçadas,
Pelas avenidas, pelas madrugadas
Te mostrar o Empire, o MoMA, o Guggenhein,
Já que me falta o juízo, eu podia ter, ao menos, a sorte
De descer seu corpo do Upper a Dowtown
Cruzar a ponte e voltar de novo
Até você ficar realizada, até se cansar
Te fazer musa, like a Hollywood superstar
E também sair comigo, assim que eu voltar
Não mordo, não te ataco, eu hei de aguentar
Ah, loira, mais bela que a vista do Top of the Rock
Vou pôr seu nome nas marquees da Broadway
E depois, debaixo do meu lençol, do meu teto
Enfim, não custa sonhar, anyway, eu sei.
29 de jul. de 2019
Quisera eu
Ah, linda moça, eu fico querendo, mas tenho receio de ir te falar
Vai que está ocupada ou dando risada com alguém acolá
Mas quando eu bebo uma dose, arranjo coragem pra te procurar
Arrisco, digito intenções, falo qualquer bordão pra te impressionar
Você me dá um barato do balaco baco, que nem ácido deu
Quisera entender esse lance, se vai virar romance, quisera eu
Chamei pra armar um esquema, mas você cansada pediu pra pensar
Nem acreditei, quando o celular apitou com você dizendo, que ia se arrumar
Ah, me perdoa, é que contigo, o tempo voa
Já são 5 da manhã, essa nossa embriaguez destoa
E se eu acordar, sei que vou estar rindo à toa, à toa
Ah, me perdoa, é que contigo, a direita esquerda
Acabei de chegar em casa, mas bem que queria estar na sua
Amanhã já chegou, que sonho bom.
Vai que está ocupada ou dando risada com alguém acolá
Mas quando eu bebo uma dose, arranjo coragem pra te procurar
Arrisco, digito intenções, falo qualquer bordão pra te impressionar
Você me dá um barato do balaco baco, que nem ácido deu
Quisera entender esse lance, se vai virar romance, quisera eu
Chamei pra armar um esquema, mas você cansada pediu pra pensar
Nem acreditei, quando o celular apitou com você dizendo, que ia se arrumar
Ah, me perdoa, é que contigo, o tempo voa
Já são 5 da manhã, essa nossa embriaguez destoa
E se eu acordar, sei que vou estar rindo à toa, à toa
Ah, me perdoa, é que contigo, a direita esquerda
Acabei de chegar em casa, mas bem que queria estar na sua
Amanhã já chegou, que sonho bom.
14 de dez. de 2015
Menos nós
Tenho saudade do tempo, quando tinha menos nós
Do tempo que gente não valia mais que bicho,
Que prédio não valia mais que árvore,
Que lua valia mais que LED
E todo mundo via o outro.
Que bom o tempo que tinha menos nós.
Que bom o tempo que éramos menos sós.
Do tempo que gente não valia mais que bicho,
Que prédio não valia mais que árvore,
Que lua valia mais que LED
E todo mundo via o outro.
Que bom o tempo que tinha menos nós.
Que bom o tempo que éramos menos sós.
10 de dez. de 2015
Tristeza triste
A tristeza é triste.
Durante toda a noite, me veio uma tristeza, que nem as maiores alegrias conseguiriam anular. Tentei cerveja, video game, filme, loteria... Tentei trabalho, tentei academia, tentei dar voltas pelo quarteirão... Nada foi capaz de espantar essa vontade do choro. E o pior é que nem chorar eu pude. Ajoelhei perto da cama, pensei nos maiores dramas da humanidade, mas o choro não veio. Que tristeza triste é essa, que nem a lágrima faz cair?
Liguei, mandei mensagem, parece que não me ama mais, sei lá. Vai ver, amanhã chega com o abraço maior do mundo e parece que nada aconteceu, parece que a tristeza nem veio, foi só noite mal dormida, só sonho ruim de segunda-feira pós férias. Mas não, a tristeza é triste.
E como é que tristeza há de ser feliz afinal? Tem tempestade que precede o céu azul. Tem tempestade, que é só tempestade mesmo. Vem em noite de festa, molha os sapatos, estraga o penteado, elimina o perfume e vai embora só de manhã, deixando o domingo cinza. Quer coisa mais triste que domingo cinza?
A vida é epopeia anunciada. Sem heróis, sem glórias. Você é tão bom quanto o dia de ontem.
Durante toda a noite, me veio uma tristeza, que nem as maiores alegrias conseguiriam anular. Tentei cerveja, video game, filme, loteria... Tentei trabalho, tentei academia, tentei dar voltas pelo quarteirão... Nada foi capaz de espantar essa vontade do choro. E o pior é que nem chorar eu pude. Ajoelhei perto da cama, pensei nos maiores dramas da humanidade, mas o choro não veio. Que tristeza triste é essa, que nem a lágrima faz cair?
Liguei, mandei mensagem, parece que não me ama mais, sei lá. Vai ver, amanhã chega com o abraço maior do mundo e parece que nada aconteceu, parece que a tristeza nem veio, foi só noite mal dormida, só sonho ruim de segunda-feira pós férias. Mas não, a tristeza é triste.
E como é que tristeza há de ser feliz afinal? Tem tempestade que precede o céu azul. Tem tempestade, que é só tempestade mesmo. Vem em noite de festa, molha os sapatos, estraga o penteado, elimina o perfume e vai embora só de manhã, deixando o domingo cinza. Quer coisa mais triste que domingo cinza?
A vida é epopeia anunciada. Sem heróis, sem glórias. Você é tão bom quanto o dia de ontem.
14 de jul. de 2014
Sexta, sábado, domingo
Acordei e fui testemunha de um céu lisérgico
Desses que nem a cortina quer esconder
Tinha dormido bem e era sábado,
Mas a cama vazia dava o tom de cinza
Cinza quase castanho, o azul desbotou
Minha mão tateou o vácuo, despertador tocou
Tinha mensagem sua, de texto, de voz
Sem teu corpo ali do lado, ao menos dados
Justo hoje que eu queria fatos e fotos
Sempre quero, coleciono prints de você
Preferiria colecionar abraços sem partida,
Breves retornos, beijos sem despedida
Nesse romance à prazo, aceito pagar à vista
Veio a quinta, é só amanhecer pra você chegar
Sábado volta a ser sábado e o domingo azul
Semana que vem é triste, você não vem
É tempo do azul virar cinza e o sábado domingo.
Desses que nem a cortina quer esconder
Tinha dormido bem e era sábado,
Mas a cama vazia dava o tom de cinza
Cinza quase castanho, o azul desbotou
Minha mão tateou o vácuo, despertador tocou
Tinha mensagem sua, de texto, de voz
Sem teu corpo ali do lado, ao menos dados
Justo hoje que eu queria fatos e fotos
Sempre quero, coleciono prints de você
Preferiria colecionar abraços sem partida,
Breves retornos, beijos sem despedida
Nesse romance à prazo, aceito pagar à vista
Veio a quinta, é só amanhecer pra você chegar
Sábado volta a ser sábado e o domingo azul
Semana que vem é triste, você não vem
É tempo do azul virar cinza e o sábado domingo.
9 de jul. de 2014
O festival
Foi em 2011, mas tanto faz,
Podia ter sido 2008 ou 7
Naquele festival de cinema,
Foi a melhor cena que eu vi
E não estava em nenhum filme
Não disputou nenhum prêmio
Pode até ter escapado das lentes,
Mas meus olhos captaram em 24 frames
Virou um belo plano sequência, one shot
Um take e já merecia até tapete vermelho,
Leão em Cannes, Urso em Berlim
Passei os próximos anos querendo um remake
Tentei, mandei roteiro, não vinha
Não tinha disponibilidade a atriz principal
Escrevi outro plot, criei outro shot
Suspirei quando aceitou fazer meu filme
A musa veio, produzi e filmei. FICA?
Podia ter sido 2008 ou 7
Naquele festival de cinema,
Foi a melhor cena que eu vi
E não estava em nenhum filme
Não disputou nenhum prêmio
Pode até ter escapado das lentes,
Mas meus olhos captaram em 24 frames
Virou um belo plano sequência, one shot
Um take e já merecia até tapete vermelho,
Leão em Cannes, Urso em Berlim
Passei os próximos anos querendo um remake
Tentei, mandei roteiro, não vinha
Não tinha disponibilidade a atriz principal
Escrevi outro plot, criei outro shot
Suspirei quando aceitou fazer meu filme
A musa veio, produzi e filmei. FICA?
20 de jan. de 2014
É
Quando eu te vi subindo as escadas do Hortomercado, vindo ao meu
encontro, eu torci com todas as minhas forças que você fosse uma chata,
fosse metida a besta, gostasse só de música ruim, ficasse o tempo todo
no celular, que o seu perfume me desse alergia, mas não, nada disso. E
você ainda tinha que chegar com aquele sorriso de deixar a vida em slow
motion por alguns instantes.
Mais tarde, quando saímos pra jantar, eu torci pra nossa conversa não fluir e os dois ficarem olhando para o relógio a cada dois minutos até que um começasse a bocejar e o outro pedisse a conta. Eu tentei te olhar e te achar feia. Quando te beijei, torci pra não gostar, pra ser sem graça, sem gosto, sem vontade. Mas não, nada disso. E você continuava com aquele sorriso de deixar cada segundo durando quase um minuto, sem que a gente perceba o tempo passando.
No dia seguinte, me restou torcer pra que eu não sentisse vontade de te beijar de novo, que fosse coisa das várias cervejas da noite anterior. Torci pra perceber que você é fresca, te achar burrinha, sem conteúdo, pra que você fosse do tipo que disputa minha atenção com os amigos ou do tipo que fica pedindo pra gente se sentar bem na hora do show. Mas não, nada disso. Ficou ali esbanjando simpatia e, vez ou outra, me olhando com aquele olhar de "vem cá".
No domingo, já não tinha mais esperanças, já não torcia. Quis que você se atrasasse no encontro pra ver se ficava com um pouco de raiva de você, mas você chegou primeiro que eu. Transformou um simples passeio no shopping center na coisa mais divertida do mundo. Quase perdemos a hora da sessão de um filme que eu queria muito ver por causa da prosa solta. Era agora. Você tinha que ser do tipo que falava o filme inteiro, dormisse e perguntava o que tinha perdido. Era a minha última chance de não gostar de você. Mas não, claro que não. Fez foi ficar me fazendo carinho na mão o filme inteiro.
É... É.
Hoje, antes de partir, tive um sonho ruim com você. A gente precisa mesmo dessas fugas de realidade, de vez em quando.
Mais tarde, quando saímos pra jantar, eu torci pra nossa conversa não fluir e os dois ficarem olhando para o relógio a cada dois minutos até que um começasse a bocejar e o outro pedisse a conta. Eu tentei te olhar e te achar feia. Quando te beijei, torci pra não gostar, pra ser sem graça, sem gosto, sem vontade. Mas não, nada disso. E você continuava com aquele sorriso de deixar cada segundo durando quase um minuto, sem que a gente perceba o tempo passando.
No dia seguinte, me restou torcer pra que eu não sentisse vontade de te beijar de novo, que fosse coisa das várias cervejas da noite anterior. Torci pra perceber que você é fresca, te achar burrinha, sem conteúdo, pra que você fosse do tipo que disputa minha atenção com os amigos ou do tipo que fica pedindo pra gente se sentar bem na hora do show. Mas não, nada disso. Ficou ali esbanjando simpatia e, vez ou outra, me olhando com aquele olhar de "vem cá".
No domingo, já não tinha mais esperanças, já não torcia. Quis que você se atrasasse no encontro pra ver se ficava com um pouco de raiva de você, mas você chegou primeiro que eu. Transformou um simples passeio no shopping center na coisa mais divertida do mundo. Quase perdemos a hora da sessão de um filme que eu queria muito ver por causa da prosa solta. Era agora. Você tinha que ser do tipo que falava o filme inteiro, dormisse e perguntava o que tinha perdido. Era a minha última chance de não gostar de você. Mas não, claro que não. Fez foi ficar me fazendo carinho na mão o filme inteiro.
É... É.
Hoje, antes de partir, tive um sonho ruim com você. A gente precisa mesmo dessas fugas de realidade, de vez em quando.
3 de dez. de 2013
Intimidade
Eu detesto quando gente que eu não tenho intimidade age como se fôssemos íntimos. Detesto quando me chamam de amor se me conheceram no dia anterior. Soa falso até na hora do sexo. Também não gosto de sair abraçando quem eu mal conheço. Eu até que não me importo de conversar com estranhos eventualmente, mas não todo dia e nem em todo lugar. Tem dias que eu quero somente ficar só. E se vou para algum lugar que não estou gostando de estar, eu não consigo ser político e fingir que quero estar ali. Prefiro pegar minhas coisas e ir pra casa. Sempre há algum filme bom que eu ainda não vi. Sempre tem alguém online que eu goste de falar. Eu sei que pode soar como antipático, mas não é isso. Eu só não sou do tipo que ama todo mundo e gosta de estar com qualquer um pra não ficar sozinho. Tem certas coisas que eu, inclusive, prefiro fazer sozinho. Não. Eu realmente não faço questão de todo mundo, mas faço muita questão das pessoas que faço questão. Caso contrário, prefiro até evitar um segundo encontro.
2 de set. de 2013
Quase sem
Eu acho que posso me acostumar
a viver sem quase tudo nessa vida
Sem dinheiro
Sem carro
Sem escova de dente
Sem chuveiro de água quente
Sem roupa passada
Sem tênis limpo
Sem a cama arrumada
Sem uma refeição decente
Sem elevador
Sem pente
Sem cordas
Sem Facebook
Sem postar foto no Instagram
Sem bateria no celular
Sem "x" e "R1"
Sem açúcar
Sem sal
Sem o futebol de Quarta
Sem sábado e domingo
Sem graça
Até sem moça
Mas não sem alma
Essa que eu deixei ali
Na bituca que joguei no chão
Apagada, desprezada
a viver sem quase tudo nessa vida
Sem dinheiro
Sem carro
Sem escova de dente
Sem chuveiro de água quente
Sem roupa passada
Sem tênis limpo
Sem a cama arrumada
Sem uma refeição decente
Sem elevador
Sem pente
Sem cordas
Sem Facebook
Sem postar foto no Instagram
Sem bateria no celular
Sem "x" e "R1"
Sem açúcar
Sem sal
Sem o futebol de Quarta
Sem sábado e domingo
Sem graça
Até sem moça
Mas não sem alma
Essa que eu deixei ali
Na bituca que joguei no chão
Apagada, desprezada
26 de mai. de 2013
Calçadas
Já maltratei calçada, quase nada
Vi gente disposta, muita gente cansada
Mas fiquei até o último brilho da madrugada
É que o tempo mata, mas antes destrata
Esse maldito fugaz de longos anseios
Alguns tão pobres, alguns devaneios
Uns mais impossíveis que outros
Outros mais calados que uns
O que a gente não leva, arrasta
Por isso há de se sentir bem sentido
Até o que se sente não sentir mais.
Do ponto final pra frente
Outros frames, outras histórias
Nem tudo festa, nem tudo glória
Memórias? Nem tão cegas,
Nem tão claras quanto esperava
Umas bem quistas, outras massacradas
Umas tão tortas quanto supervalorizadas
Todas necessárias, vadias desesperadas.
Vi gente disposta, muita gente cansada
Mas fiquei até o último brilho da madrugada
É que o tempo mata, mas antes destrata
Esse maldito fugaz de longos anseios
Alguns tão pobres, alguns devaneios
Uns mais impossíveis que outros
Outros mais calados que uns
O que a gente não leva, arrasta
Por isso há de se sentir bem sentido
Até o que se sente não sentir mais.
Do ponto final pra frente
Outros frames, outras histórias
Nem tudo festa, nem tudo glória
Memórias? Nem tão cegas,
Nem tão claras quanto esperava
Umas bem quistas, outras massacradas
Umas tão tortas quanto supervalorizadas
Todas necessárias, vadias desesperadas.
25 de set. de 2012
Fora de eixo
Ficou tão desnorteado quando a viu que entrou no banheiro, lavou as mãos, deu a descarga e mijou fora do vaso, exatamente nesta ordem. Voltou pro quarto sem passar o café que tinha saído pra pegar.
18 de set. de 2012
22 de mar. de 2012
Grito da ausência

Ora, bela moça, vou ser direto, ser sincero
Só sinto sua ausência aos domingos,
Aqueles entediantes quando o meu time perde
Aqueles de calor quando o meu time ganha
Só quando chove, só antes de dormir
Vez ou outra, quando acordo, quando sonho,
Quando dirijo, abro a geladeira, tiro as meias,
Passo a roupa, mudo de canal, escovo os dentes
Quando perco os óculos, quando perco a hora
Só enquanto faço a digestão do almoço, do jantar,
Espero a sobremesa, pego a fila, pago a conta
Só sinto sua ausência quando sonho contigo de noite,
Quando sonho contigo de dia, de madrugada,
Dormindo ou acordado, quando não sonho,
Quando lembro do coração na parede, o vinho,
Uvinha, Pera, Amora, sua calcinha, ontem, agora,
Quando torço, quando vivo, quando morro
E morro de vez em quando, quando sinto sua ausência
Mas só de vez em quando, vez em nunca
Pronto! Ponto.
Tentei fingir que era pouco.
Tentei, não deu, já deu a hora de você voltar.
15 de mar. de 2012
22 horas
Não gosto mais das 22 horas
É quando você vai, partiu
Ainda que 22 horas depois
Você voltasse, mas não
Não volta, nem amanhã,
Nem depois, nem terça
Só quinta ou sexta
Ou dessa vez, sou eu que vou?
Vou eu, vai você
Não vivo mais sem esse vai e vem
Sorriu.
É quando você vai, partiu
Ainda que 22 horas depois
Você voltasse, mas não
Não volta, nem amanhã,
Nem depois, nem terça
Só quinta ou sexta
Ou dessa vez, sou eu que vou?
Vou eu, vai você
Não vivo mais sem esse vai e vem
Sorriu.
3 de mar. de 2012
6 de fev. de 2012
Vamos fazer um filme?
Sempre quis estudar cinema. Acabei fazendo Publicidade e Propaganda porque não tive coragem de fazer faculdade de Cinema. Imagina! Cinema? No Brasil? Não, não! Meus pais que já não eram lá tão favoráveis a Publicidade iriam surtar (e eu confesso que tinha medo de morrer de fome). Inclusive, embora meu pai seja o meu grande ídolo, ele sempre teve um perfil diferente do meu, mais conservador, a favor de estabilidade, dependesse dele, eu teria feito algum concurso público e estaria por aí tranquilão pegando meu salário fixo todo mês com aposentadoria garantida. Não que isso seja ruim, é uma escolha, mas não é pra mim. Nunca foi! E aí que agora, alguns anos depois de formado, com situação profissional estável, finalmente fui fazer Cinema. Talvez, tivesse que ter feito mesmo antes, talvez não. Mas acredito que cada momento, cada experiência que a gente vive acaba contribuindo direta ou indiretamente. E assim vai.
A minha primeira sensação com as aulas é que eu tinha perdido tempo. Senti que todo mundo ali da sala entendia mais de cinema que eu, tinha visto mais filmes, falavam com mais propriedade no assunto, citavam filmes de arte que eu nunca tinha ouvido falar, sabiam tudo sobre diretores dos anos 10, 30, a revolução de Griffith, Porter, os soviéticos, os alemães, The Jazz Singer, dos clássicos da nouvelle vague, Glauber, enfim, comecei a colocar em dúvida se levava mesmo jeito pra coisa. Cheguei à conclusão que havia visto hollywoodianos demais. Não que Hollywood só produza lixo, na verdade, só uns 90%. O fato é que eu poderia muito bem ter trocado as quase 2 horas que levei assistindo os "Todo mundo em Pânico" da vida por tantos bons filmes...
Era passado. E o passado a gente não muda.
Comecei a ver filmes clássicos desesperadamente. Comecei a ler sobre grandes diretores como se não houvesse amanhã. Gastei boa parte do salário com livros sobre cinema. Tinha que recuperar vários anos em poucas semanas.
As aulas me davam prazer, sabe quando você sente que se encontrou? Pois é. Não que eu não goste do que eu faço, mas sabe, é diferente. Cinema é tesão! E sabe aquela história de ligar os pontos? Pois é. As coisas foram surgindo e voltei a confiar que eu tinha potencial. E confiança, amigo, é tudo. Um homem sem confiança não faz nada.
Os anos da infância que eu passei desenhando quadrinhos, os anos que quis ser escritor, ser poeta, músico, os anos como profissional de criação publicitária, os livros, os filmes, tudo que eu havia consumido na minha vida toda estava ali para eu começar a montar um enorme quebra-cabeças.
Nós precisávamos juntar um grupo e fazer um filme. Que filme? Que história contar? Eu tinha tantas histórias... Me dispus a ser o diretor, carudo pra caramba, vamos lá fazer esse negócio, junto com o Diego, moleque vindo do interior assim como eu, que nasci no interior de Minas, fui pra mais interior ainda e depois fui morar em Goiânia, cidade linda do meu coração. Propus que a história filmada não fosse nem minha nem dele, já que a gente ia dirigir. Aí o John, que ia fazer a fotografia do filme, chegou pra mim in off e disse que tinha pensado em uma história de um velho rabugento que vivia sozinho e ficava na varanda o tempo todo com a arma na mão esperando a Morte chegar pra matar a Belladona. Achei demais e comprei a ideia logo de cara. Restava convencer o restante do grupo.
Comecei aí um certo lobby em favor da história do John, embora o grupo estivesse dividido. Éramos 6 pessoas e tinha a história da Giuli, garota que ia escrever o roteiro, que era muito boa também. A Aninha, que tava cuidando da produção, inclusive, votou na história dela. Por fim, o Voto de Minerva foi do Saimon, rapaz de Curitiba, que ia fazer a direção de arte. Pronto! Primeiro passo havia sido dado. Escolhemos a história. Agora era fazer o filme.
A Giuli escreveu o primeiro roteiro, mas ele não era bem a história do John. Chamava-se Xeque Mate e o velho jogava xadrez com a Morte, algo assim. Tinha a arma, tinha a varanda, tinha o velho, mas ainda não era isso. Aí comecei a rascunhar umas coisas, viajar, olhar referências e eis que me ocorreu que estávamos chegando em 2012, ano do fim do mundo segundo os Maias, o cara tinha uma espingarda que podia ser uma 12, 12 é um número diretamente ligado ao tempo, já que são 12 números no relógio, 12 meses no ano, etc. E pronto. Tava aí o conceito que a gente precisava. 12 = tempo. E não deu outra. Escrevi o argumento, mostrei pra galera do grupo, curtiram e a Giuli escreveu o roteiro em cima dele. Alguns pitacos aqui e ali dos diretores, do John que havia pensado na história, story board criado e chegamos em um acordo. Os professores deram algumas ideias, algumas dicas, mas foram bem favoráveis à história, parecia ter agradado. Ufa.
Faz teste com ator, ensaia ator, muda coisa ali, testa o figurino, reserva equipamento, busca locação, stress aqui, stress ali, vamolácorrequetáchegandoodiadafilmagem, briguinhas, discussões, alterações de última hora, tem jogo do Coringão no dia e se ele for campeão vai ter foguetório e vai zoar o som (ainda bem que o Corinthians foi campeão só no domingo seguinte), passa avião de 2 em 2 minutos na casa, eagoracoméquefaz?
No dia anterior à filmagem, mais precisamente no sábado a noite, fui até a AIC buscar o equipamento emprestado, já que iríamos começar a gravar no domingo de manhã e só tínhamos um dia para realizar todas as filmagens do curta. Meu amigo Pedro, que não tinha nada a ver com aquilo, foi quem me ajudou a botar as coisas todas no carro. E era muita coisa, viu? Fiquei até preocupado de deixar aquilo tudo ali dentro do carro, imagina se roubassem? Lembro que nem consegui dormir direito essa noite, não só pela preocupação, mas também pela ansiedade.
Combinamos de nos encontrar em frente à AIC. Todos os envolvidos foram razoavelmente pontuais. O Eduardo, ator que fez o Lourenço foi o que chegou mais tarde, talvez, por vingança para compensar o fato de ele ter chegado adiantado nos ensaios e termos deixado ele esperando. Nada desesperador também. Segue o jogo. A casa era da tia do Saimon, que por sinal, foi muito receptiva, simpática mesmo. O Diego até quebrou uma cadeira da casa dela e tenho a impressão que a gente não pagou por isso. Melhor até mudar de assunto. Vai que ela tá aqui lendo e lembra, né?
Chegamos ao local umas 10 da manhã mais ou menos e posso dizer que as primeiras horas foram conturbadas. A Giuli ficou um bom tempo captando o som ambiente da varanda, quartos, cozinha e sala, nos poucos instantes que algum avião não passava e o papagaio da casa não berrava alguma coisa. O Saimon cuidava dos últimos detalhes da decoração e do figurino dos atores, junto com a Ana. O John mexia na câmera e começava a montar a luz da primeira cena. O Diego e eu passávamos o story board. O Xandes, amigo meu diretor de arte/fotógrafo que eu chamei pra nos dar uma força, ficava lá deitado de boa esperando ser acionado.
Devo dizer que fui incumbido de ser o motorista do grupo e isso incluía tarefas como buscar comida, buscar pilha que acabou, ir até farmácia, ir ao mercado, etc, e devo confessar que fiquei meio impaciente com isso em alguns momentos. Passado à raiva e voltando ao fato das primeiras horas terem sido conturbadas, nós repetimos algumas cenas várias e várias vezes e fomos ficando sem tempo. Era quase 10 da noite e a gente não tinha feito nem 30% do filme. O clima começou a ganhar tensão, até porque a gente havia combinado de sair da locação mais ou menos às 10. A Aninha estava desesperada já, andando de lá pra cá, não sabia mais o que falar pra Tia do Saimon (dona da casa). Toda hora ela chegava e me falava alguma coisa, reclamava do tempo, falava pra eu andar depressa e chegou uma hora que eu perdi a paciência e pedi pra ela parar, ficar calma e deixar a gente terminar.
Depois disso, ela ficou na dela e a gente começou a acelerar. Algumas cenas, eu faria de novo, poderiam ter ficado bem melhores, mais convincentes ao meu ver. Sabe quando você sente que ainda não chegou lá, mas tem que desencanar e seguir em frente? Pois é.
Mas fiquei feliz porque todos se empenharam e fizemos o melhor que conseguimos no tempo que tivemos. E foi isso.
Fazer um filme, por mais que seja de curta metragem, não é fácil, exige planejamento, organização, empenho e uma boa ideia. No nosso caso, era mais difícil ainda, poque havia ali uma questão política de deixar todos com a sensação de orgulho do que foi feito, com a sensação de que o filme é nosso e não do Fulano. Filme é, acima de tudo, um trabalho em grupo. E que trabalho que dá, viu?
Finalizamos as filmagens de madrugada, lá pelas 2 da manhã. Todo mundo cansado, esgotado, tendo que trabalhar no dia seguinte, mas a vontade de terminar prevaleceu. Finalizado o dia de filmagem, o dia seguinte é aquele de devolver o equipamento, conferir se estava tudo lá, chegar atrasado no trabalho e segue a vida.
Ufa, agora acabou, né? Acabou nada. Aí veio a edição que foi outra briga. Mexe aqui, muda ali, não é isso ainda, esse plano tá melhor que o outro, usa essa, a outra tava melhor mesmo, deixa sem trilha aqui, pega aquele take, gosto daquele close, o som dessa cena tá zoado, mexe no tom da fotografia dessa cena, senta lá, Cláudia. O grande problema nessas horas é que todo mundo tem opinião, mas uma hora, as pessoas entram em acordo. Um cede aqui, outro cede ali e the end. Tá feito o filme. 12:12.
Ps.: Eu ainda não montei o tal quebra-cabeças, mas já evoluí com algumas peças.
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